Ee blog terá, pelo menos duas vezes por semana, as minhas opiniões e comentários sobre desporto – sobretudo automobilismo – e sobre a vida nacional (portuguesa e brasileira) e internacional, com a experiência de 52 anos de jornalismo, 36 anos de promotor e 10 de piloto. Além de textos de convidados, e comentários de leitores.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

FÓRMULA 1 e os SALÁRIOS MILIONÁRIOS em OUTRAS MODALIDADES

Não, não me esqueci dos meus seguidores, mas, depois da operação de 6ª feira – que correu bem – só hoje pude voltar ao computador. E, posso dar-vos boas novas pois na pesquisa que voltei a fazer na net encontrai relatórios e artigos impressionantes que me fizeram recordar os meus tempos de Inglaterra quando, no início da década de 1960 um jogador profissional de futebol, uma das principais estelas, como Danny Blanchflower, na época capitão do Tottenham Hotspurs e da seleção da Irlanda do Norte ganhava £20 por semana (eu recebia £50 de mesada por mês e uns 30 escudos por cada artigo para “A Bola”, se a memória não ma falha, e umas £25 por um artigo para o “World Sports”).
Como é possível a Federação Paulista de Futebol e a Rede Globo cometerem estes erros?
E, na Fórmula 1, quando comecei a ter contato com o “circo” – que ainda não o era! – um piloto de topo ganhava por ano, em 1972, no caso da March,  £40.000 mais uma percentagem nos seus prémios, que poderia chegar, em média a umas £10.000. Ou seja, um muito menor multiplicador do salário mínimo ou do PIB per Capita do que agora, para não termos problemas de conversão da moeda em face da inflação.
Mais do que isso – tenho informações desta pesquisa, que vou mostrar dentro de dias, da enorme revolução nos ganhos das estrelas de vários desportos. Não só que há 50 anos as estrelas andavam de “Carocha” ou de A30 ou de Mini, enquanto agora chegam aos treinos de Ferrari ou de Porsche… E, no entanto, o empenho dentro do retângulo de jogo parece-me que até era maior nessa época. Não fosse isso, e nada tenho, claro, contra os milhões que Ronaldo ou Mourinho recebem dos seus clubes que estão inseridos nesta indústria que envolve muitos milhares de milhões – bem mais, muito do que toda a nossa dívida pública.

BLATTER – FIGURA JÁ RIDÍCULA À FRENTE DO FUTEBOL MUNDIAL

Ligar à figura triste que o Presidente da FIFA, Joseph Blatter fez na passada sexta-feira em conversa com estudantes universitários ingleses, é não ter bom-senso. Como dizia ontem o nosso colega jornalista Joaquim Rita – o único jornalista português com voto na “Bola de Ouro” – e eu concordo inteiramente: “Nem Ronaldo, nem a FPF, nem o Real Madrid se devem considerar ofendidos pela palhaçada que o suíço fez perante uma plateia de estudantes em Oxford, e que foi divulgada pela TV para todo o mundo.
 
O futebol, a FIFA, ele próprio é que devem estar profundamente dececionados com o estado a que chegou o tal do “desporto-rei”. Como é possível o seu maior responsável mundial dar um espetáculo tão degradante quinda por cima diante jovens. Claro que ele apenas quis expressar as suas preferências – o que jamais poderia fazer publicamente – ainda por cima fazendo graça e usando reles pantomímica.
Coitado. Ou não, coitados somos nós todos – adeptos de futebol, jogadores, clubes, federações, países, que, todos, temos de suportar há décadas o jugo de gente como esta, autênticos “Padrinhos da Mafia”.
Tenho alguma admiração pelo antigo Presidente da FIFA, o brasileiro João Havelange, que prefaciou o livro “História da Bola” que editei pela Talento há uns anos (duas edições em 1998 e 2006, antes dos respetivos mundiais). Não só porque é amigo de um amigo meu, autor destas obras ímpares - Dr. José de Almeida Castro - como sempre manteve, ao contrário de Blatter – seu secretário-geral na FIFA – uma imagem de grande senhor.

No entanto, as escabrosas estórias de corrupção e tráfego de influências que têm vindo a ser expostas sobre a FIFA nas últimas duas décadas, sobretudo nos últimos três a cinco anos, são bem reveladoras dos “Badfellas” (titulo de um dos muitos livros publicados sobre a FIFA, este em 2003, de autoria de John Sugden e Alan Tomlinson) que compõem os corpos dirigentes da FIFA e de algumas, muitas federações nacionais de futebol. O jornalista inglês Andrew Jennings é o autor do livro Foul!, publicado no Brasil com o nome Jogo Sujo, e do especial Fifa's Dirty Secrets (Os Segredos Sujos da Fifa), especial transmitido pela BBC no programa Panorama. Estes seus trabalhos relatam as práticas fraudulentas realizadas dentro da Fifa, que envolvem alguns dos principais dirigentes que passaram pela entidade.

 MUNDO DO AUTOMOBILISMO TAMBÉM MUITO OBSCURO
Não se pense que o mundo da F1 e do automobilismo, e da FIA é muito diferente. Basta ter seguido as carreiras dos dois presidentes antes de Jean Todt – Jean-Marie Balestre e Max Mosley – para ter a certeza de que na Place da le Concorde, 8, muita coisa sempre se passou que nada tem de espirito desportivo.Conheci bem esse meio sobretudo durante a década de 80.
O mesmo se poderá dizer do meio da Fórmula 1, a começar pelo seu “Padrinho”. E até neste pontificado de Jean Todt, os métodos usados para a sua eleição não terão sido os mais leais e transparentes, como quase sempre acionteceu em todas as campanhas para a FIA e a FIFA … e tantos outros organismos desportivos até nacionais, claro

terça-feira, 10 de setembro de 2013

NADAL A CAMINHO DO TOPO MUNDIAL

Nesta primeira crónica (ou mensagem, como quiserem) neste meu novo espaço de comunicação volto às minhas origens de jornalista, quando, correspondente de “A Bola” em Londres desde janeiro 1961, cobri o Torneio de Wimbledon nesse ano e no seguinte.
Ao assistir estes dias pelo “Eurosport” ao inolvidável US Open, em Flushing Meadows, New York, recordei a beleza do ténis do também inesquecível Rod Laver vencedor no All Englang Tennis Club em 1972. A evolução física dos jogadores e os novos equipamentos – raquetas – usados atualmente  proporcionam batidas muito mais fortes e uma velocidade de jogo muito maior. Isto faz com que se jogue sobretudo no e para o fundo da quadra. No entanto, houve momentos da final em que Rafael Nadal dominou mental e taticamente Novak Djokovic em que as subidas de ambos à rede– sobretudo do sérvio – deliciaram-me com as recordações do ténis de Laver.
Pena que Djokovic tivesse perdido três “match points” e um jogo de serviço no terceiro set, que lhe foi fatal, indo abaixo mentalmente e perdendo o seguinte por 6-1, para fechar o jogo num 3-1 que não reflete a paridade de grandeza dos dois primeiros do ranking mundial. Ficou patente que o espanhol nesta sua 13ª vitória num Major é o mais forte e em breve passará a ser o maior de todos os tempos ultrapassando ao 14 Grand Slams de Pete Sampras, os 17 de Djokovic e os 18 de Roger Federer (que teve um US Open para esquecer, ou para pensar bem no resto da sua brilhante carreira).
Melhor até que as exibições do espanhol (ainda nº 2 mundial) nestas duas semanas nova-iorquinas – depois de uma ausência de sete meses lesionado num joelho – foi, para mim, a sua última frase na entrevista, ainda no court principal, a Mats Wilander, vencedor de sete Grand Slams: “Quero sobretudo agradecer a quem me ajudou e apoiou no ano passado, quando não estive aqui”.

Estrelas brilham e veterano confirma talento
Neste US Open puderam prever-se os grande futuros do suíço Stanislas Wawrinka que obrigou Djokovic ao seu melhor para passar uma meia final de cinco horas e do francês Richard Gasquet, que bateu Ferrer até ser inevitavelmente dominado em três sets pelo bulldozer Nadal na meia final.
Outra boa surpresa foi o australiano Lleyton Hewitt (o mais jovem nº1 do mundo, aos 20 anos, em 2001, depois de vencer o US Open e antes de ganhar Wimbledon em 2002) que, agora 66º do ranking, aos 32 anos, derrotou em cinco sets o espanhol Juan Martin del Potro, campeão em 2009, na segunda ronda.
Uma má nota vai para o estilo como os apanha-bolas foram treinados, bem diferente da forma como atuam os mais jovens de Wimbledon. Prefiro os ingleses, claro.

Serena Williams será a maior de sempre
Batendo a bielorussa Victoria Azarenka por 2-1, a norte-americana Serena Williams ganhou o seu segundo US Open, atingindo 17 Grand Slams no seu currículo, o que nos faz prever que em breve passará os 18 de Martina Lavratilowa.
Com o imponente Arthur Ashe Stadium, de capacidade duas vezes maior que Wimbledon, lotado na maioria dos jogos a partir dos quartos de final não espanta que Serena tivesse recebido este ano um cheque superior a 3,2 milhões de dólares.

Ferrari rouba pódio a Massa
Para que os meus seguidores não pensem que não escreverei sobre automobilismo, gostaria de apontar que a Ferrari, com a perda de 0,8 seg na troca de pneus de Massa para o trabalho de box da Red Bull na paragem de Webber terá roubado um pódio a Felipe, tanto mais que ambos os carros ingleses (sim, sei que a equipa é austríaca…) tiveram problemas de caixa.

FIFA faz má escolha de árbitros
E, também, para que os que, como eu amam o futebol – em que dei os primeiros passos como jornalista em 1961 – não pensem que me vou alhear do que se passa nesta modalidade, aponto desde já o dedo aos colaboradores de Herr Blatter que parece não saberem quem escolhem para arbitrar importantes jogos, como Irlanda do Norte-Portugal. Esse “senhor” sueco Danny Makkele, não tem perfil para um jogo do mundial (apuramento) – é demasiado nervosinho para o meu gosto (e o de Postiga…) e o seu poder e rapidez de decisão deixam muito a desejar!
Fiquem apenas descansados os adeptos e jogadores de rugby pois sobre esse desporto que a minha mulher apelidou há dias de “quele  em uns mastodontes se amontoam”, nada sei, a não ser que os neozelandeses se impõem e começam os jogos com uns intimadores.

De resto, escreverei um pouco sobre tudo o que aprendi com grandes mestres em mais de 52 anos de jornalismo e o que a vida me foi ensinando. Em desporto e no nosso dia-a-dia.