Ee blog terá, pelo menos duas vezes por semana, as minhas opiniões e comentários sobre desporto – sobretudo automobilismo – e sobre a vida nacional (portuguesa e brasileira) e internacional, com a experiência de 52 anos de jornalismo, 36 anos de promotor e 10 de piloto. Além de textos de convidados, e comentários de leitores.
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

1º SALÃO DOS CAMPEÕES – DIFÍCIL PRIMEIRO PASSO
Neste fim-de-semana, Manuel Mello Breyner cumpriu, com a realização do 1º Salão dos Campeões, uma das suas promessas eleitorais a caminho da Presidência da FPAK.
Com a presença de uns 40 carros de competição – a maioria bastante interessante –, umas10 motos, todas interessantes, e uns 10 karts, este primeiro certame da era Breyner merecia mais, sobretudo por parte do público, cuja afluência ficou bem abaixo do esperado.
Quando pelas 15h de sábado cheguei ao estacionamento da Expo Salão da Batalha – realmente uma infraestrutura de grande valor para a região, e que simultaneamente albergava uma exposição de veículos usados – fiquei muito surpreso por ver tantas vagas, sobretudo porque já estava perto da hora dos maiores nomes do nosso desporto motorizado, os campeões, darem a sua sessão de autógrafos – António Félix da Costa, Felipe Albuquerque, Miguel Barbosa, José Pedro Fontes, e outros.
Depois entrei, e o recinto impressionou-me, mas tive uma sensação de “saber a pouco”. Claro que estamos em crise, para todos, e embora o local tenha sido muito bem escolhido pela nova equipa da FPAK – a meio do país – foi nítido que faltaram alguns carros que eram esperados. No entanto, transporte e estadia para “apenas expor” os seus carros, não esteve ao alcance – pelo menos mental – de alguns, que não terão pensado mais para a frente, no sentido de lançar esta semente (ou não terão tido essa possibilidade económica).
Esta foi uma importante primeira pedra lançada por Mello Breyner, mesmo que não tivesse tido o sucesso com a esperada adesão do público. Foi uma iniciativa no bom sentido de levar os automóveis para junto de um público que ou não entendeu ou não foi informado ou muito simplesmente não compreendeu o que lhe estava a ser oferecido por apenas €3 – a oportunidade de ver de perto, de tocar em carros emblemáticos do nosso automobilismo e de ter um contato direto com os ídolos nacionais do nosso desporto. Talvez por não estarem habituados a isso. Mas, valeu Foi uma primeira semente que trará frutos no futuro, estou certo, até porque não estou nada de acordo com um amigo que me disse logo que cheguei “coitado do “Formiga” ter de aturar, estar sempre a tirar fotos com este e com aquele, e ter de dar autógrafos”.
Justamente foi contra esta errada linha de pensamento que se terá realizado este I Salão dos Campeões. Campeões que sabem ser essa a sua obrigação – alimentar o sonho dos seus adeptos, semear o sonho, as sensações que o automobilismo e seus principais atores – os pilotos – têm de fomentar.
O caminho é duro, mas é preciso dar os primeiros passos por caminhos diferentes dos errados que estavam a ser tomados, em vários campos, de iniciativas ou de posturas. Este foi um deles. Que deixará frutos.
No entanto, o público precisa de aderir mais pois, se não o fizer, não pode, depois, reclamar que nada se faz. E, deixar a sua passividade, a sua timidez, e participar mais destas sessões de autógrafos que são feitas para proporcionar maior intimidade com os protagonistas do desporto. O português parece que tem vergonha, que tem medo de interagir, de fazer aquilo que, no fundo, quer.
Por último, uma outra realidade: ao norte de Leiria (e a Batalha fica mesmo ali juntinho, uns poucos kms a sul) é que há paixão pelos automóveis. A prová-lo muitos dos que vi na Batalha eram do Norte…

MUSEU CR7 – UMA REALIDADE POR INICIATIVA PRÓPRIA
Também este fim-de-semana, Cristiano Ronaldo inaugurou o seu museu, na sua terra, Melhor, a Madeira teve a honra de ver inaugurado um museu que homenageia o seu maior desportista português do momento – e um dos maiores de sempre.
Não conheço ainda este museu. Espero que quando o for visitar … a segunda Bola de Ouro já lá esteja, embora duvide muito que a vontade do tal de Blatter, eleito Presidente da FIFA, como a grande maioria dos presidentes dos seus antecessores e dos presidentes das Federações a Internacionais são, de forma muito pouco transparente. Aliás, até bem transparente pois sabemos bem os métodos utilizados de aliciamento dos seus eleitores – os presidentes das Autoridades Desportivas Nacionais.

MUSEU SENNA – UM SONHO POR CONCRETIZAR.
Bem, não é disso, dessa enorme e fedorenta sujeira que vos escrevo hoje. É de outra, sobre a qual já escrevi, e que escandaliza muitos milhares, milhões de fãs de Ayrton Senna – depois de quase 20 anos do tanta, tanta gente que tinha no Ayrton uma luz de esperança, de orgulho, uma alegria nas suas vidas muitas vezes desgraçadas, que via nele um símbolo, um herói; depois de tanto tempo de orfandade de Ayrton, continuam sem saber por que motivo ainda não têm um museu do símbolo da sua esperança e de motivo de alegria?
Por que motivo a TAS-Torcida Ayrton Senna, que continua a ser levada a custas penas pelo meu amigo Adilson Carvalho de Almeida, merece, como sempre, a indiferença da Fundação Ayrton Senna, e tem como amparo apenas o Patriarca de família, o Sr Milton, pai de Ayrton, e o desdém da “todo poderosa” Viviane Senna da Silva Lalli, irmã de Ayrton, que só no ano passado confessou publicamente numa entrevista à TV Record que a ideia do seu irmão não era exatamente fazer uma fundação com o seu nome, mas fazer uma série de ações beneficentes, como ele sempre fez de modo sigiloso. Aliás não seria pensável que fosse de outra forma, já que Ayrton sempre se opôs a qualquer divulgação ou publicidade aos seus atos beneméritos nos últimos anos da sua vida. Ele sempre quis manter o anonimato das suas doações. Algo muito diferente do que a psicóloga, Dra. Viviane tem vindo a fazer nos últimos 18 anos.
Mais uma vez me questiono: já que Viviane – que, sem dúvida, tem o grande mérito de ter fundado e mantido florescente o Instituto Ayrton Senna, com obras de grande valor social – sobretudo para crianças – a que sempre faz questão de associar o nome de Ayrton e o seu – por que motivo até agora não proporcionou ao povo brasileiro – e não só – o Museu Ayrton Senna, para o qual o Município de São Paulo já teria doado um terreno?
Não foi certamente a pífia exposição (embora tecnologicamente muito moderna e interessante) que organizou há dois anos num canto da Estação de Metro da Sé, em São Paulo, que pode satisfazer o povo, e muito menos esteve à altura de Ayrton, seja em dimensão seja em forma seja ainda pela falta de perenidade que ele merece.
Não será certamente por falta de fundos que esse museu ainda não foi erguido pois não faltarão apoios pera o erguer e manter. Está Viviane à espera do quê?
Lamentável. Como seria uma justa homenagem a Ayrton que no próximo dia 1 de maio, o povo, sobretudo o brasileiro, pudesse ter o seu museu, como tem no edifício do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, um excelente Museu do Futebol, onde pode recordar os seus ídolos, como Domingos da Guia, Bellini, Nilton e Djalma Santos, Pelé, Garrincha, Vává, Zico, Ronaldo e tantos outros.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

CRÓNICA DE HÁ SEIS ANOS, AINDA ATUAL

As minhas desculpas a todos por ainda não ter escrito nada esta semana, mas problemas de saúde e os respetivos compromissos médicos não me deixaram criar nada suficientemente bom que vos merecesse.
Por isso fui à procura de um texto ainda não publicado e que tivesse algum interesse. Aqui está, escrito há mais de seis anos, e, claro, é preciso ser lido nesse contexto temporal (inclusive a ortografia pré-acordo…):  
 
Londres: cada vez menos acessível.
Não me sairá jamais da memória. Em Dezembro passado apanhei um táxi de Heathrow para South Kensington (cada vez mais atraente este bairro da minha juventude) e quando cheguei ao hotel paguei £50 pela corrida. O taxista riu-se quando eu lhe disse que ele estava recebendo o mesmo, por esta corrida, que eu, há quarenta e três anos recebia do meu pai como mesada.
Está realmente muito, muito caro viver em Londres.
Dois dias depois fui para Paris. Desta vez, por comboio para evitar todo o tumulto e loucuras da segurança aeroportuária britânica. O Pedro da agência de viagens riu-se imenso quando eu lhe pedi um lugar em carruagem com cama. É que nos “meus tempos de londrino” a viagem levava a noite inteira. Agora é mais rápido do que de avião: em 3h 30m vamos do centro londrino ao centro parisiense.

Livingstone: Londres sem carros
Na semana passada voltei a Londres. Não é que o Mayor Livingstone aumentou a área sujeita ao “congestion charge” em mais uns 5km para cada lado?  
“Ele simplesmente odeia automóveis e automobilistas”, comentava John Hugues,  Presidente da Comissão de Históricos da FIA-Federation Internationale de l’Automobile.
“É um recalcado. Há os “have e os have not”, e ele, coitado revolta-se por nunca ter tido nada”, apontava John Hogan, ex-Vice Presidente da Philip Morris e agora director de uma das maiores companhias de marketing desportivo do mundo.
Não dá. Realmente desisti definitivamente de uma das coisas que mais gozo me dava – guiar através de Londres, atravessar Hyde Park, entrar na Trafalgar Square pelo Pall Mall, ou percorer Chelsea, South Kensington, enfim reviver a minha vida aqui no início dos anos sessenta. Agora tem mesmo de ser de táxi. Caríssimo. Ou talvez não pois há um ano só de multas de estacionamento e do “congestion charge” foram quase £200 em três dias.

O centro dos negócios
Mas, Londres, menos acessível continua a ser o centro da civilização, se com isto queremos (será?) apontar o mundo dos negócios cada vez mais aqui: “eu, para falar com os tipos da UBS (Union de Banques Suisses) é no escritório em Londres”, lembrava Hogan. Por isso vim aqui para me reunir com os dois Johns.

Ajuda de um grande “guru”
Nós, em Lisboa, estamos cada vez mais arredados dos centros de decisão das grandes companhias. Como a minha ambição é dar aos eventos da Talento uma projecção internacional, com parceiros e patrocinadores multinacionais, tive de me vir aliar a um dos maiores “gurus” da estratégia do marketing desportivo, sobretudo de desportos motorizados. Não só eu: a própria Comissão de Históricos da FIA que, com esta nova presidência de um grande executivo inglês, pretende dar um salto a médio prazo em termos de projecção internacional dos eventos e da modalidade.

O requinte londrino
John Hugues estava louco por receber de mim a versão espanhola da minha biografia do Ayrton Senna (a maioria dos estrangeiros percebe melhor o espanhol – será pela falta de promoção da língua portuguesa?...) e adorou receber os meus primeiros dois livros sobre o Ayrton, aventurando-se mesmo a ler partes do “Ayrton Senna Saudade” enquanto esperávamos o outro John.
Eu nem me importava de esperar o dia inteiro ali, naquele ambiente. Em muitos anos de Londres jamais tinha entrado no Wolseley, um restaurante mesmo ao lado do Ritz, em Piccadily, que acolhe desde as 8h a agitada sociedade de executivos londrinos aproveitando o seu “breakfast” para fazer as suas primeiras reuniões do dia. Nem sei como dá para discutir alguma coisa num ambiente devorador como aquele, que nos absorve todos os sentidos, seja para ver o modo como somos servidos, para admirar as jovens ou para olhar para a decoração.

As recordações boas e … más
Claro que se falou de Fórmula 1 pois foi esse o mundo em que John Hogan se destacou, sendo o motor que pés de pé a McLaren International quando esta surgiu como a evolução natural do Project 4 de Ron Dennis e da desorganização em que estava a McLaren de Teddy Mayer.
Claro que se falou do funeral do querido Creighton Brown, da figura inconveniente que Ron Dennis fez na cerimónia de homenagem a quem tanto o ajudou, inclusive com grande parte da sua fazenda no Brasil como garantia na formação da McLaren International. Mas, Ron parece ter uma memória demasiado … selectiva …
A ponto de numa reunião dos construtores de F1 há uns tempos ter tido a petulância de apontar aos seus colegas empresários que ”a F1 se esquece do papel dele” ao que Bernie Ecclestone terá sussurrado de forma para todos o ouvirem: “pelo seu trabalho como mecânico, talvez…”
Ron deve esquecer-se (mais uma omissão da sua memória) que Creighton foi o principal motor por detrás do projecto do super carro McLaren F1.
Enfim, coitado dele, Ron, que, com estas suas atitudes, perde p respeito que lhe deveria ser dado por tudo o resto, e muito que tem feito. Como é curioso que pessoas que começaram por baixo e subiram tanto têm vergonha das suas origens, quando deveria ser o contrário, pois têm todo o mérito, desde que os métodos usados para terem escalado tão alto tenham sido leais, legais e limpos. Mas, isso também acontece também em Portugal, e até no meio automobilístico…