Ee blog terá, pelo menos duas vezes por semana, as minhas opiniões e comentários sobre desporto – sobretudo automobilismo – e sobre a vida nacional (portuguesa e brasileira) e internacional, com a experiência de 52 anos de jornalismo, 36 anos de promotor e 10 de piloto. Além de textos de convidados, e comentários de leitores.

segunda-feira, 26 de maio de 2014


Carta aberta a Ronaldo: “você foi covarde ou oportunista?”

Por Luis Augusto Simon, o “Menon”,  no seu blog no UOL .

Pelo brilhantismo do meu ex-colega do Jornal da Tarde, de S.Paulo, não posso deixar de transcrever na íntegra este texto, com a devida vénia, já que retrata muito bem a lamentável postura de tantos brasileiros e portugueses, e … de tantos outros, mesmo desportistas, que deveriam dar o exemplo à sociedade de seu país:

 

Caro Ronaldinho, Ronaldo ou Fenômeno.

Nem sei como te chamar. Através de sua carreira, os nomes foram mudando. Eu me lembro da primeira vez em que te entrevistei – foram poucas, muito menos do que eu desejaria – no vestiário do Palmeiras, após um jogo contra o Cruzeiro. Você disse que estava pronto para a Copa de 94. E foi convocado. O início de uma carreira que maravilhou o mundo.

Olha, acho melhor chamá-lo de Ronaldo Nazário de Lima, afinal o assunto não é apenas futebol.

Ronaldo, os seus dribles são eternos. Desde aquela série imensa em um jogo contra o Barcelona até aquele que não se completou, em um abril de 2000. Aquele que deixou o mundo triste, calado, sofrendo. Você voltava após cinco meses de paralisação por uma problema no joelho, voltou e, ali pela esquerda do ataque da Inter, gingou diante de Fernando Couto e rompeu novamente o tendão do joelho.

E o seu oportunismo? Não era como Romário, que ficava ali quietinho na área, esperando a bola chegar. Com seu tamanho, não dava para passar despercebido, mas, como o Baixinho, foram muitas alegrias vindas de puro oportunismo, de saber estar no lugar certo na hora certa.

Pois é, Ronaldo Nazário de Lima, drible e oportunismo são fundamentais na vida de um artilheiro. São desprezíveis na vida de um cidadão.

Falo isso por causa de sua declaração de que tem vergonha dos atrasos nas obras da Copa. Que elas passam uma imagem ruim lá fora. Aquele velho papo de quem deseja agradar os de fora.

Ora, Ronaldo, você estava lá, no dia em que o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa. Estava com Paulo Coelho, com Lula, com Aécio Neves e Eduardo Campos.

Você ao contrário deles, passou a ser membro do Comitê Organizador Local. Ronaldo, você é um dos responsáveis por tudo que envolve a Copa.

Ronaldo, você ganhou dinheiro com a Copa. Suas publicidades aumentaram. Você alugou sua casa para um figurão da Fifa, nem vou procurar no Google o nome dele, não interessa.

Ronaldo, que coisa feia!!!. Depois de ser o responsável, depois de faturar dinheiro, você estica o dedo e diz que “sente vergonha”.

Ah, quer dizer que você não é responsável por nada? Nadica de nada? O que está errado é culpa dos outros? Trabalhou com o governo, diz que está tudo errado e apoia Aécio Neves na eleição. Drible e oportunismo.

Ronaldo, eu não deveria me surpreender com suas idas e vindas.

Em 2009, você disse que não gostaria de ser relacionar com Ricardo Teixeira, uma pessoa de “duplo caráter”. Em 2012, disse que “ele é meu amigo e estou com ele no que precisar”, antes de Ricardo Teixeira ser obrigado a renunciar à CBF.

Você jogou no Barça e Real, na Inter e no Milan, se recuperou no Flamengo e assinou com o Corinthians.

Aliás, Ronaldo, você pensou que ao dizer que “os atrasos te dão vergonha” poderia atingir Andrés Sanchez, que foi seu parceiro na recuperação do Corinthians?

Ronaldo, no caso de Aécio vencer, você terá muitas chances de ser o Ministro dos Esportes. Mas, saiba que o Aécio estará de olho em você. Ele é neto de Tancredo, uma das grandes raposas da política brasileira. Como o avô, ele é desconfiado. Sabe que os que traem uma vez, traem sempre.

É questão de índole. De caráter. Ou, da falta de ambos.

domingo, 25 de maio de 2014


FINAL EMOCIONANTE DA CHAMPIONS
Para mim, apesar de não ter estado fisicamente presente no Estádio do SLB (já não o querem chamar da Luz?...), esta final de ontem foi das mais emotivas de sempre. Jamais tive um clube, como sócio, ou ferrenho defensor. Sempre me apaixonei pelo bom futebol e por ele sempre torci, qualquer que fosse a cor do emblema ou das camisas. Ontem nem sabia por quem torcer, já que, apesar de me sentir mais ligado ao Real pelo seu jogo mais tecnicista e atacante, sobretudo nas transposições, em que não tem igual no mundo pela sua velocidade mortífera, não podia deixar de admirar – mais uma vez – a garra, a determinação, o espírito de grupo, de entreajuda, de todos os jogadores do Athletic de Madrid. Parece que bebem e têm no sangue o espírito indomável de Diego Simeone, seu treinador.
E, no final, não consegui festejar uma vitória demasiado pesada do Real, que apenas retratou o tremendo desgaste físico e o natural banho de água gelada psicológico que foi fugir-lhes de repente – aos “Colchoneros” –, mais uma vez, como em 1974 na sua primeira final, frente ao Bayern de Munique, uma Champions que lhes parecia já sua, finalmente. Depois de uma temporada sensacional em que dominaram a Liga Espanhola e eram, nessa altura, a única equipa sem qualquer derrota nesta Champions. Foi duro, demasiado pesado, perder por 4-1. Mas, futebol é isto mesmo.
Repito o que já escrevi tantas vezes: “é apenas um jogo, mas a coisa mais importante do mundo”, para muita gente.
 
Reviver emoções e achar diferenças
Para mim, foi realmente especial pois de tão emocionante fez-me recordar as duas finais que o Benfica ganhou, em 1961, em Berne, frente ao Barcelona, ganhando por 3-2, Real, e em 1962, sobre o Real, que vencer por 5-3, onde eu estive presente, jovem aprendiz de fotojornalista dando os meus primeiros passos internacionais.
Fazendo na minha memórias os filmes desses dois jogos épicos das “águias” dirigidas pelo austero e brilhante Bela Guttmann, vejo como o futebol de então era tão diferente do atual. Muito mais lento. Incomparavelmente menos tático, embora os grandes treinadores esquematizassem o modo de jogar das suas equipas. Mas, sem os rasgos de brilhantismo que podem incutem nas equipas de hoje, mudando radicalmente posicionamentos de jogadores ou adaptando-os a posições diferentes para tirar maior partido individual e coletivo do jogo.
Como, por exemplo, Carlo Ancelotti fez ontem com as mudanças no segundo tempo, colocando os mais atacantes Marcello e Isco, e depois rendendo um Benzema nitidamente abaixo do seu melhor rendimento pelo mais combativo e fresco Morata. Só foi pena que não tivesse podido dar mais liberdade atacante a esse genial Modric’, um dos maiores médios da atualidade. Isso permitiu que Angel di Maria – já bastante cansado na sua nova posição que Ancelotti descobriu para ele, como um “número 10”, pudesse ocupar o flanco esquerdo, de onde ajudou a resolver a “goleada”.
Do outro lado, Simeone não teve recursos perfazer as substituições que a sua esgotada equipa necessitava para segurar o resultado proveniente de um frango de Casillas (como ele é deficiente a jogar com os pés e a sair dos postes, como Mourinho muito bem apontava).
E, assim, uma final histórica da Champions – a primeira entre dois clubes da mesma cidade – foi um tratado de futebol. Cheia de emoções e, como tantas outras, como aquela inigualável vitória do Man United, em Barcelona, em 1999, marcando os dois golos da vitória por 2-1 sobre o Bayern já nos descontos.
 
11 champions portugueses
Para nós, portugueses, além de ter sido sensacional receber uma final destas – para a economia e o orgulho nacional – temos de nos lembrar que além dos três portugueses que ontem se sagraram champions – CR7, Coentrão, e Pepe, apesar de não ter jogado – há na história, além das duas equipas encarnadas vencedoras da Taça dos Campeões Europeus, mais talento luso marcante nas conquistas de outas equipas estrangeiras: Paulo Sousa (Juventus, 1996 e Dortmund, 1997), Luis Figo (Real Madrid, 2002), Rui Costa, (AC Milan, 2003), Deco (Barcelona, 2006), Ronaldo e Nani (Man United, 2008) e Bosingwa, Paulo Ferreira e Raul Meireles (Chelsea, 2012).

segunda-feira, 28 de abril de 2014

HOMENAGEM A AYRTON SENNA
Fãs de Ayrton Senna reúnem-se na Praça Ayrton Senna (antiga Praça da Maratona), no Circuito do Estoril, na próxima 5ª feira, 1 de maio, às 13 horas – horário do começo do fatídico GP de San Marino – para homenagear o ídolo de todos nós, 20 anos depois do seu desaparecimento
Para quem gostava do Ayrton, este será um momento de o homenagear. Com a simples presença, com uma oração, com umas flores.
Aguardo vocês lá. Por favor, passem palavra.

segunda-feira, 31 de março de 2014

LEILÃO BENEFICENTE DE AUTOMOBILIA
MOTORCLÁSSICO - FIL - Sábado, 5 de abril, 17h
A FAVOR da Associação Unidos pela Caridade
A Associação, constituída em março de 2012, pessoa coletiva 5102166080, tem como fim apoiar pessoas, famílias e grupos em situação de pobreza e carência social, através de iniciativas que lhes garantam o acesso aos seus direitos e de uma ação social e de solidariedade compatíveis com a sua dignidade humana. Assim, pretende prestar apoio alimentar, fornecer vestuário e produtos para higiene, confecionar e distribuir alimentos aos “sem abrigo” e aos cidadãos sem capacidade económica para proverem autonomamente da sua alimentação diária, apoiar mulheres grávidas e fornecer enxovais aos recém nascidos, apoiar bebés e crianças, com a entrega de leite, fraldas e produtos de higiene, apoiar idosos  no domicílio, criar instalações para convívio e apoio a idosos e criar um lar de retaguarda de cuidados continuados para idosos com alta hospitalar.
Está a funcionar com um grupo  de 20 voluntários e sediada no Prior Velho, em  instalações cedidas provisoriamente pela Junta de Freguesia.
Apoia cerca de 250 pessoas muito carenciadas, provenientes de famílias numerosas, com elevado número de crianças e idosos, residentes nos Bairros Sociais do Prior Velho e cujas situações se encontram devidamente avaliadas por técnicos de Ação Social.
Peças a serem leiloadas pela AQUEDUTO Leiloeiros:
Lote 1 - Garrafa Magnum de 9lt Raposeira Brut com os autógrafos de vários ex-pilotos de F1, como Vern Schupan, Maria Teresa de Filippis, Teddy Pilettte, Tim Schenken, Nanni Galli, Tony Brooks, Derek Bell, Jochen Mass, Howden Ganley, e outros.
Lote 2 - Escultura do artista inglês Gary Smith com certificado nº 2 da 20 únicas peças do Ferrari 156 "Sharknose" com que Phil Hill foi o primeiro norte-americano a conquistar o Campeonato do Mundo de Fórmula 1, em 1961.
Lote 3 - Miniatura do Mercedes 300 SLR (com que Stirling Moss e Dennis Jenkinson ganharam as 1000 Milhas de 1955, com autógrafo do famoso piloto.
Lote 4 – 3 livros de Charley Boorman sobre viagens de moto, incluindo uma de Lisboa a Dakar.
Lote 5 – 3 livros sobre 4x4: Paris-Dakar (fotos de Pedro da Silva), 4x4Vehicules por John Carrol ,The Ultimate Guide to 4x4s by Peter Henshaw.
Lote 6 – 2 livros: Carros de Sonho e Classic Cars.
Lote 7 – Tela com reproduções de 8 cartazes do Circuito da Boavista de 1950 a 1960.
Lote 8 – Gravura a cores de Ayrton Senna, por Paulo Solaris.
Lote 9 Desenho a carvão de Mário Araújo Cabral, por António Eiras, autografado por “Nicha” Cabral.
Lote 10 – Desenho a cores Michelin de carro de competição dos anos ’20.
Lote 11 Coleção de 11 posters antigos Michelin.
Lote 12 Coleção de 8 posters gigantes FERRARI.
Lote 13 Poster do GP Histórico do Porto 2005autografado presencialmente por Francisco Santos, promotor.
Lote 14 – Coleção de 6 posters gigantes de camiões americanos.
Lote 15 – Duas miniaturas 1/43 Mitsubishi de rali e 1 Miniatura da HONDA MOTO GP de Barros.
Lote 16 – 1 enciclopédia de Fórmula 1 – 2 volumes – Editada por Pierre Ménard.
Lote 17 – 1 Miniatura 1/43 do Ford Escort RS de Francisco Santos, de 1973, dedicada presencialmente pelo piloto .
Lote 18 – 1 livro Rallye (1983), por Francisco Santos dedicado presencialmente pelo autor .
Lote 19 – Coleção de 10 anuários de Fórmula 1, à escolha do comprador (esceto as edições esgotadas) por Francisco Santos, autografados pelo editor, a levantar em Cascais.
Lote 20 – Idem, mas 5 anuários F1 e 1 coleção de cartões postais (reproduções de posters de provas antigas).
Lote 21 – Idem, mas 3 anuários F1 e 1 coleção de cartões postais.
Lote 22 1 anuário Fórmula 1 1973 e 1 coleção de cartões postais.







sábado, 8 de março de 2014


Prometi que transcreveria aqui  a mensagem que dei aos cerca de 500 participantes no PORTUGAL MOTORSPORT AWARDS DE 2013.
Aqui vos deixo a versão integral já que o "recado" que eu dei na altura foi mais curto para não enfadar ainda mais os convivas que continuaram a fazer barulho com as suas conversas sobre os seus feitos ou sobre ... o "sexo dos anjos"...

O ESTADO DO AUTOMOBILISMO NACIONAL – JANEIRO 2013

A COISA MAIS IMPORTANTE DA VIDA

De um jogo de futebol já houve quem lembrasse: “É a coisa mais importante da vida, mas é apenas um jogo”.

Diria ao contrário: os automóveis são apenas um desporto, mas, para nós, é das coisas mais importantes da vida. Porque é uma das nossas paixões … a que nos traz aqui.
 

AGRADECIMENTO E ALERTA

Estas minhas palavras, além de agradecimento, serão, acima de tudo, um alerta … … não com o meu suposto “mau-feitio”, mas com a habitual frontalidade.

Ao longo das nossas vidas, o automobilismo deu-nos muitas alegrias e motivos para lhe dedicarmos o nosso tempo e o tempo que roubámos às nossas famílias.

No entanto, o balanço do deve e haver … dá que pensar …

Para muitos, sobretudo para os mais jovens, o nosso desporto justifica tudo.

Mas, ao fim de 50 anos como jornalista, piloto, organizador e promotor não sei se o meu investimento teve o retorno correspondente à dedicação.

Sobretudo no atual estado do automobilismo, com a postura, as atitudes e as opções de muita gente dos automóveis – aqui e lá fora – pergunto-me se continua a justificar esta minha paixão.

Tenho dúvidas.

 

DECEÇÃO e EXEMPLOS

E é uma pena eu estar dececionado, pois o automobilismo é tão emocionante que fico triste por ter motivos – como a maioria de vocês – para estar desiludido com algo que amamos.

Chego ao ponto de me perguntar se neste país … com esta economia e este mercado, devia sequer haver automobilismo.  

Pelo menos no estado em que está agora …

Claro que a prova de que vale a pena é a nossa presença aqui, nesta festa que o Luis e o Artur muito bem criaram há 3 anos e realizam de forma impecável.

Se estou aqui e recebi esta homenagem que mais me sensibiliza por ser diante de vocês, é porque houve muito boa gente que me mostrou – com o seu exemplo ou os seus ensinamentos – como eu devia agir.

Na comunicação… Gente como Vitor Santos, Carlos Pinhão, Mário Zambujal, Aurélio Márcio ou Vitor Direito; Couto e Santos e Augusto Vilela; Albérico Fernandes, Fialho Gouveia, Carlos Cruz;  ou John Webb e John Hogan.

Foi com eles que aprendi a ser jornalista, autor, editor e profissional de marketing.

Na organização e promoção de eventos … César Torres, José Mégre, Heitor Morais, Thierry Sabine, Carlos Fonseca ; além de Martin Peterkin. Foram eles que me mostraram como fazer os Ralis, os Enduros, os Historic Festival que as minhas equipas realizaram.

Ou ainda Henrique Burnay Bastos, David Wood e tantos outros.

 

NÃO ESPEREM PELAS MUDANÇAS. FAÇAM ALGO

Para vocês, o automobilismo deve ser muito mais do que tem sido nos últimos anos.

Não fiquem à espera de mudanças.

Têm de ser vocês a mudar o automobilismo, que está enfadonho e moribundo de uma peste cujo vírus vocês sabem a origem.

O automobilismo nacional deve ser aquilo por que nos apaixonámos e deve trazer alegria e retorno a todos nós … sobretudo satisfação.

Lembrem-se que vocês, os concorrentes, são os “palhaços” de um circo que não existe sem vocês. São a parte mais importante que tem sido tratada e se tem comportado como o elo mais fraco.

 

RECONQUISTAR PROJEÇÃO E POPULARIDADE

Este último ano mostrou quanto os portugueses se têm notabilizado em competições internacionais. Pelo seu mérito individual. Sejamos dignos do seu sucesso e lutemos, para que o automobilismo nacional volte a ter a projeção e a popularidade e a saúde que teve durante tantos anos.

Alguns de vocês ainda se lembram de às 3 e 4 da matina, em plena serra de Arganil ou na Senhora da Graça serem incentivados por dezenas de fans.

Ou, em Vila Real … a ganharem mais uns centímetros na perna direita para manter o prego a fundo na descida de Mateus depois de milhares os terem aplaudido na subida.

É a essa alegria que me refiro. Do entusiasmo de um automobilismo com vida, que servia a todos e não a alguns. Que era – como na Grã-Bretanha – concebido e regulado segundo o interesse dos participantes.

Esta mensagem é feita com a paixão que nos une e me obriga a lembrar-vos: O nosso automobilismo está podre e moribundo.  

A sua sobrevivência depende muito de muitos vocês imporem os valores certos.

Somos um povo de brandos costumes.  

É isso que tem mantido muitos dirigentes no seu dourado trono.

Sempre soubemos quando já basta de aguentar … e, já aguentámos demais … o nosso automobilismo já está farto … de tanto suportar.

A culpa é só da crise ??? …  Poupem-nos …

É preciso mudar muita coisa …

Há nesta sala tanta gente que deve usar parte das suas capacidades para salvar o automobilismo. Da forma que o vosso engenho e paixão vos ditar. Não se furtem a isso.

Temos todos a ganhar com essa mudança. Alguns perderão com isso mas esse é problema deles, que têm causado tantos danos ao automobilismo.

O vosso … é salvar o que resta …

Por outro lado … também há coisas boas a acontecer, como a Single Seaters Series e os novos Classic Super Stock. 

Este é um exemplo a ser acarinhado com paixão e dedicação, e não com as habituais barreiras de interesses.

Peço também à Comunicação Social uma linha editorial mais ativa.  

Deem mais espaço aos automóveis. Não se omitam. Não encubram situações danosas. Pesquisem. Para que as verdades sejam divulgadas.

Os automóveis precisam da vossa ajuda e … os leitores agradecerão.

 

Todos merecemos um automobilismo melhor, com uma postura mais transparente e saudável de todos os agentes.

Tratem dele.  Com urgência.

Antes que morra de vez. De morte matada.

Por último, “but not the least” quero pedir desculpa à Lena … à Jo … e às minhas filhas Patricia e Rita por esta paixão lhes ter roubado muito da minha vida e agradecer-lhes o apoio que sempre me deram … … ajuda que também tive das minhas equipas de trabalho.

terça-feira, 4 de março de 2014


POBRE PAÍS RICO ou RICO PAÍS POBRE? QUE POVO SOMOS?

“Na minha frente na fila para o endireita, lá para os lados da Lourinhã, a caminho de Torres Vedras, estavam um porco e uma vaca, e eu aflito de um braço…” contava-me hoje o meu melhor amigo, de uma conversa com um colega dele nos anos 1980.

Ao regressar a Cascais hoje, terça-feira de Carnaval, pela segunda circular depois de o visitar em seu apartamento na Portela, deparei-me com um tremendo e inesperado engarrafamento. Não havia acidente nenhum, nem sequer daquelas batidas insignificantes em que os motoristas ficam horas a medir os risquinhos que o outro lhes fez no guarda-lamas. Havia apenas muita gente a regressar a Lisboa. Em sentido contrário, de saída de Lisboa, àquela hora de suposta ponta, trânsito livre.

E, eu, e o resto do “povo”, sim do povo que nós todos somos, com porco e a vaca na fila da segunda circular. Perdão, não eram os animais abaixo de nós na cadeia alimentar. Apenas portugueses a voltar provavelmente de passeios de longo fim de semana fora de Lisboa. Talvez lá para os lados do endireita, para ver o grande carnaval de Torres Vedras que, segundo um político local traz “uns milhões de impacto económico à cidade”.

Ao chegar ao final da segunda circular, quando pensava encontrar o habitual engarrafamento da saída de Lisboa para a A5, foi como num fim-de-semana, com trânsito fluindo muito bem.

Não me admira, pois ontem (segunda feira de carnaval, claro, esqueci-me…) tive de tratar de assuntos profissionais em Lisboa. Parecia uma cidade deserta. O Largo do Camões, aliás, a estátua do nosso poeta estava pejada de “turistas”, a maioria, creio desempregados ou auto desocupados do nosso carnaval…

 A meio da tarde, as ruas não tinham trânsito e as lojas desertas ou fechadas por motivo da crise, que parecia não ter consequências no comportamento do povo, dos cidadãos, dos trabalhadores.

Claro que o povo … cá estou eu a usar uma palavra que parece ofender muita gente. Desculpem, emendo: os cidadãos, esses estavam provavelmente a gozar do seu direito de um descanso, de um lazer no nosso tradicional carnaval. Sim, porque somos um país apenas de direitos. Até porque a nossa constituição, esse complicadíssimo texto, que tarda a merecer o acordo dos políticos em ser revisto para bem de toda a Nação e de todo o Povo – inclusive dos trabalhadores, note-se numa visão não-oportunista e imediata – é parco em obrigações de todos nós para com o país, para com o próximo, para com a economia nacional.

Parece, realmente que queremos voltar aos tempos do endireita atrás da vaca e do porco…

Ou então estamos a pretender dar razão aos alemães e nórdicos que consideram que a nossa crise económica se deve à falta de ritmo de trabalho, de eficiência, de disciplina, enfim de tanta coisa do povo, exemplo dos povos do sul da Europa. Será?

Falta de disciplina e coerência, estou certo que é. O que é estranho, pois os emigrantes lusos têm uma postura – e são bem reconhecidos por isso – de eficientes trabalhadores, pensadores, cientistas, grandes profissionais.

 

PORTUGAL MOTORSPORT: SOBRETUDO CONVÍVIO

Veja-se o caso, agora mais no campo do “povo automobilístico” em relação ao já tradicional e excelente evento Portugal Motorsport Awards. Além de ser uma oportunidade para premiação que a dupla Artur Lemos/Luís Caramelo em nome dos seus 11.000 seguidores no Facebook, atribui a figuras do nosso desporto-automóvel pelas mais variadas facetas das suas vidas ou carreiras, é, a meu ver, muito mais uma oportunidade para os adeptos/participantes terem momentos inesquecíveis de convívio, de confraternização, de enriquecimento de conversas que não têm apenas de ser de auto bajulação, podendo ser construtivas para a modalidade que passa por momentos ainda difíceis na sua reestruturação.

 

Discussões/conversas úteis para o automobilismo

Esse deve (ou devia) ser a motivação principal deste encontro.

Será? Claro que este ano tem mesmo de ser, pois o trabalho do Artur e do Luís não teve resposta suficiente (que até parece, como escrevi, falta de consideração)  pela esmagadora maioria.
Lembrando o que tentei falar a todos no almoço do ano passado na Curia, e que poucos ouviram pois estavam demasiado interessados na habitual “cavaqueira ou disse-que-disse de café”, até nem sei no acreditar. Talvez tivessem estado mesmo a discutir assuntos importantes para o nosso automobilismo, enquanto eu os alertava para os muitos problemas graves da modalidade. Ou então estavam a falar bem de outros pilotos e organizadores… Não importa, pois irei publicar amanhã aqui tudo, na íntegra, o texto integral que escrevi para a minha alocução aos convivas de 2013, que foi reduzida para não interromper as conversas… Isto, para não haver dúvidas…

Seja como for, o importante é estarmos juntos, para o “cortar da casaca” ou para, de preferência, para falarmos sobre o que interessa.

Será, no entanto, que no próximo dia 15, além dos já inscritos (cerca da oitava parte dos que estiveram na Curia há um ano) os outros aparecerão no restaurante que o Artur vai comunicar dentro de dias? Ou será que se vão esquecer? Ou a crise não lhes permitirá gastar num almoço, pensando nas poupanças que têm de fazer para comprar mais um motor melhor que o “vizinho” ou para “artilhar” mais o seu carro ou mesmo para comprar o modelo mais competitivo para terem a certeza de que ganham a toda a gente, mesmo aos que guiam melhor?

Vão, certamente, agora repetir as minhas palavras sinceras que tenho repetido quanto ao meu título de 1991, “naquele carro (Escort RS1600) qualquer macaco ganhava o nacional de velocidade”. É verdade. Desculpem, se eu já tinha esse carro, em que fazia ralis e circuitos e rampas, e o usei durante três temporadas.

Lá estarei na Mealhada para ter oportunidade de falar com os amigos e com os não conhecidos, se me derem esse prazer.

Todo o “povo automobilístico” terá essa oportunidade que deve aproveitar. Para seu lazer. Para o bem do desporto, se forem com esse espírito, claro.

sábado, 1 de março de 2014


Automobilismo: Seus mistérios ou posturas dos adeptos/participantes

O automobilismo desportivo – a todos os seus níveis – tem-me desiludido muito nos últimos tempos, como aliás tem sido patente em alguns dos meus escritos neste blog e nas conversas com quem vale a pena conversar no que foi, também, durante quatro décadas o meu meio como piloto, organizador e promotor.

Hoje, tive mais um exemplo das posturas da gente dos automóveis, à qual eu até gostaria de continuar a pertencer, agora apenas como jornalista, pois continuo a amar este desporto. O já tradicional almoço do PORTUGAL MOTORSPORT, na Curia – o   maior evento social do meio automobilístico português está em risco de não se poder realizar. O resultado do trabalho da dupla Artur Lemos e Luis Caramelo tem sido um enorme sucesso com uma enorme adesão de concorrentes, pilotos, navegadores, patrocinadores ou simples adeptos de norte a sul. Organizam-se autocarros com saídas de Lisboa e do Porto para levar a “malta” (significando apenas grupo na gíria comum) dos automóveis. É uma “farra”. Contam-se estórias; revivem-se momentos gloriosos ou de revezes; fala-se do futuro (embora no ano passado o alerta que fiz mereceu apenas “ouvidos mocos” de toda a gente que continuou a falar de outros temas nas meses).

Marcado este ano para dia 15 deste mês (sim, apenas daqui a duas semanas) teve até agora – e hoje é o último dia para inscrições dos participantes – um número demasiado reduzido de adesões, o qual, penso não permitir a realização do evento, tanto mais que o Artur e o Luis este ano não conseguiram ter qualquer patrocínio, o que também me espanta e desilude. Muito.

Que nós portugueses e latinos deixemos tudo para a última hora inclusive fazer inscrição (como também é sempre hábitos para as provas desportivas ou outra coisa qualquer) é, infelizmente, normal. Eu que o diga pois apenas ontem tomei, finalmente, a decisão de ir à Cúria e hoje confirmei-o ao Artur.

 

Falta de gratidão

Pior do que o alheamento a este (e outros grandes eventos) é o que isso, por vezes, representa – a ingratidão dos membros desta sociedade que tem como objetivo, julgo eu, manter vivo o automobilismo português, manter vivas as nossas memórias, projetar o futuro desta atividade de que supostamente gostamos e temos o dever de defender. Isto é falta de gratidão pelas oportunidades que nos são dadas por aqueles poucos que ainda têm a coragem de lutar – muitas vezes em vão – pela nossa modalidade, pela divulgação dos eventos e dos seus participantes. Alguns mesmo sem receber nada em troca. Nem mesmo essa gratidão por nos darem momentos de inesquecível prazer.

Esse é um doa piores aspetos do nosso automobilismo. E, não apenas do nosso, português, já que, pela minha experiência o mesmo acontece no Brasil, em Inglaterra, Grança e Itália e Espanha. Mesmo que de outras formas, algumas até mais cruéis.

Mas, francamente, não me venham dizer que não vão à Cúria onde no ano passado estiveram mais de 400 convivas, por causa da crise, ou porque a data é depois meses depois do habitual. Talvez percam. Este ano, o maior evento, repito, social do nosso automobilismo. Preferem, apenas, ir ao café dois ou três “contar umas larachas” ou ir aos jantares da “Quinta a Fundo”? Inqualificável.

Telefonem ao Artur e ao Luis a dar a vossa adesão. Mostrem a vossa gratidão e vão lá. Se não gostaram do evento contribuam com sugestões, mas participem.

Só com eventos destes e com provas bem estruturadas o nosso automobilismo se manterá vivo, florescente e progredirá? Sou idiota por pensar que um almoço na Curia tem essa importância. Tem, sim! Porque demonstra a vontade, a gratidão dos participantes, dos adeptos, dos patrocinadores para manter viva esta vossa modalidade.

Sabem? Façam, claro, como quiserem. Mas, depois não se queixem que dirigentes e organizadores e promotores passem a estar “nas tintas” para os participantes. A postura é vossa!...