Ee blog terá, pelo menos duas vezes por semana, as minhas opiniões e comentários sobre desporto – sobretudo automobilismo – e sobre a vida nacional (portuguesa e brasileira) e internacional, com a experiência de 52 anos de jornalismo, 36 anos de promotor e 10 de piloto. Além de textos de convidados, e comentários de leitores.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

FÓRMULA 1: TESTES DE JEREZ, DIA 3
Não posso deixar de reproduzir o texto do meu amigo Flávio Gomes, que é uma delícia, como de costume, pela qualidade e, sobretudo, pela forma sarcaz com que sempre comenta tudo.

SÃO PAULO (esquisito) – Alguém há de dizer que a grande atração de hoje em Jerez seria Alonso andando com o novo carro. Ou então as apostas sobre em qual volta a Red Bull iria quebrar. Ou até a apresentação da Marussia. Mas, para mim, novidade mesmo seria ver Massa num carro sem motor Ferrari e pintado de outra cor que não o vermelho, que ele trajou nos últimos oito anos.
Achei escuro. Escuro o azul, escura a foto. Tem de ver isso aí. Se bem que gosto desse azulão. Que, insisto, não é a pintura definitiva da Williams — que terá a Martini como principal patrocinadora, segundo o Américo Teixeira Jr.; se vier Campari, vamos reclamar.


E como para mim a atração do dia era ver Massa na Williams, informo que o brasileiro completou 47 voltas, achou todos muito gentis e “emocionante” a experiência de andar com um carro novo. E também com um motor alemão, em vez de italiano — mesmo na Sauber, Massa só sabia, até hoje, o que era acelerar motores Ferrari na categoria. Sobre as exigências do novo regulamento, “precisa entender como dirigir com esse motor, esse chassi, esses pneus e o turbo, mas é divertido”.
Bom, se precisa entender tudo isso, pode ser qualquer coisa, menos divertido. Deve, mesmo, ser trabalhoso. Piloto, neste ano, vai fazer alguma diferença, podem crer — os caras estão tendo de reaprender a dirigir.
E confiabilidade, também. O carro terá de ser confiável, especialmente no começo da temporada. Tipo aquele amigo para quem você pode contar seus piores segredos, sabendo que ele não vai te entregar. E nem todo carro é assim. Tem alguns que te sacaneiam com fios de cabelo e perfumes indesejáveis, se é que me entendem.
Mas vamos em frente, sem deixar de registrar que Massa ficou em segundo hoje, 1min23s700, contra 1min23s276 de Kevin Magnussen, da McLaren, o mais rápido do dia. Estreante e igualmente emocionado, o jovem dinamarquês. “Não consegui dormir e parecia que tinha borboletas no estômago”, declarou o imberbe.
Aqui, uma observação. De onde vem essa expressão idiota “borboletas no estômago”? Que sensação é exatamente essa, de ter borboletas no estômago? Alguém já engoliu borboletas vivas, várias, para dizer o que acontece quando elas começam a bater asas no estômago? E que borboletas sobrenaturais são essas que não morrem esmagadas pela laringe, epiglote e traqueia? E se ainda assim chegarem voando ao estômago, como alguém imagina que elas resistirão aos sucos gástricos que derretem até picles do Big Mac?
Bem, com borboletas ou sem elas, o rapaz fez o melhor tempo da quinta-feira depois de 52 voltas. E foram mais 40 com Button, pela manhã, uma marca significativa para o carro que, no primeiro dia, nem saiu dos boxes. Ponto para a Mercedes, que pelo jeito larga na frente no quesito motores-turbo-com-sistema-incompreensível-de-recuperação-de-energia. Unidades de força. Power units. É como vão ser chamados os motores este ano. Tucanaram os motores.
Falando nela, a Mercedes, Hamilton saiu de Jerez feliz da vida com suas 62 voltas, todas elas com a asa dianteira no lugar. Fez o terceiro tempo do dia e só parou quando um problema de transmissão fez com que parasse. Paddy Lowe, o relógio de ponto da equipe, informou que Lewis saiu dos boxes, de manhã, “alguns minutos” depois que a pista foi liberada; e “pontualmente às 14h30 depois do almoço”. É um Big Ben ambulante, o Coelho da Alice.
Alonso teve o primeiro gostinho com a F14 T na Ferrari, conseguiu completar 58 voltas (perdeu a telemetria no início e o time mandou parar o carro) e se disse emocionado por “poder pilotar de novo diante da minha torcida”. Olha, não sei se tinha muita gente em Jerez. Em todo caso, é possível mesmo que quem estivesse lá torcesse por Alonso. “Temos potencial para progredir e isso é encorajador”, falou o asturiano. Tradução: “Não andou nada, mas me juraram não é tão ruim assim”.
A turma da Renault viveu mais um dia daqueles. Vergne conseguiu dar 30 voltas com a Toro Rosso e se disse aliviado por notar que a “unidade de força” funcionou. De novo, acostumem-se. Vai ter muito “power unit” sendo dito neste ano, para descrever motor + ERS, o sistema de recuperação de energia que substitui (na verdade, sofistica e complica) o KERS, apesar de ter uma letra a menos. Ricciardo, coitado, conseguiu dar míseras três voltas, nenhuma delas cronometrada, e a Red Bull teve “os mesmos problemas de ontem”, segundo o engenheiro Andy Damerum — que sempre que vai a um bar pede um Montilla Ouro sem jamais se dirigir ao barman com frases que comecem por pronome.
Legal a Red Bull começar o ano tropeçando. Significa que as outras equipes têm chance de batê-la, neste ano. Ou, ao menos, de dar trabalho. Ninguém gosta de domínios tão absolutos como o de Vettel em 2013. A gente quer competição, não desfile.
Sauber, agora. Primeiro dia de Sutil na nova equipe e algum trabalho para os mecânicos que vão virar a noite consertando o carro. Adrian bateu. Antes, completou 34 voltas. Achou o novo motor forte, “com muito mais torque e silencioso”. Silencioso? OK, não é como antes, mas não força, moço. Outra constatação de Sutil: “O pneu duro é muito duro”. Ao seu lado, um técnico da Pirelli rabiscou num papelzinho: “Não diga”. E olha só: o alemão falou que a principal dificuldade foi com o “brake-by-wire system”. Começam a surgir pistas sobre esses freios diferentes, sobre os quais Button já havia comentado ontem. Tem caroço nesse angu. Com freio não se brinca. Depois eu explico do que se trata.
A Force India andou pouco com Hülkenberg, apenas 17 voltas. Quem estava em Jerez notou que o alemão não deu as costas para o bico do carro em momento algum. Caterham e Marussia também rodaram pouco e nem fecharam voltas cronometradas. Chilton achou que foi muito. “Cinco voltas significam muito mais do que vocês pensam!”, bradou para três caras diante dos boxes que ele achava que eram repórteres, mas na verdade eram do serviço de limpeza.
Os testes de Jerez terminam amanhã. Se não chover, a Pirelli vai molhar a pista de novo com Maldonado ao volante do trator-pipa. Se o venezuelano não aparecer, Grosjean está de sobreaviso.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014



MICHAEL SCHUMACHER: NOVA ESPERANÇA?
Jornal "L'EQUIPE" PUBLICA NOVO FURO SOBRE SAÍDA GRADUAL DO COMA".
Mais uma vez com a devida vénia, publico notícia acabada de dar no site do meu amigo, o competente jornalista brasileiro Américo Teixeira Jr:
Por Americo Teixeira Jr. – Novamente notícias sobre o estado de saúde de Michael Schumacher se espalham pelo mundo todo. Dessa vez a fonte é o jornal francês L’Equipe, informando que os médicos iniciaram uma diminuição gradual dos medicamentos, de modo a tirá-lo muito lentamente do coma induzido. O acidente de esqui que vitimou o ex-piloto da Ferrari completa hoje um mês. O trabalho de investigação do periódico ajudou a furar, mais um vez, o bloqueio de informações que cerca o heptacampeão, que só faz ampliar o rumores sobre o mais vencedor da história da Fórmula 1.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014


O GRANDE FUTURO DE STANISLAS WRAWINKA

Depois deste demasiado prolongado interregno (de duas semanas) nas minhas habituais crónicas – que também utilizei para por um pouco em ordem a minha coleção de slides de Ayrton Senna que já estão a ser digitalizados para os partilhar convosco num lote de mais de 5.000 fotos, inclusive de outros fotojornalistas e mesmo de alguns amadores – retomo a regularidade destes meus comentários. E, apesar da extraordinária vitória de João Barbosa nas “24 Horas Rolex de Daytona”, de realçar a todos os níveis, sobretudo pela competitividade da corrida deste ano, retomo o mesmo tema com que comecei este blog a 10 de setembro último: ténis. Nessa minha primeira crónica escrevia: “Neste US Open pode prever-se o grande futuro do suíço Stanislas Wawrinka…”
Neste fim de semana assistimos uma das mais históricas finais de um Grand Slam – o KIA Australian Open, em Melbourne – entre o número um mundial Rafael Nadal e o suíco. Este encontro foi estatisticamente histórico por vários motivos:

- Depois de 26 sets consecutivos ganhos por Nadal a Wrawinka, este ganhou-lhe um set pela primeira vez – e logo o primeiro.

- Foi a primeira vez – em 13 encontros - que o suíço ganhou ao espanhol.

- Por coincidência, o novo treinador de Wawrinka – Magnus Morgan, que tem melhorado bastante o jogo e sobretudo o comportamento psicológico do suíço – também só à 13ª vez conseguira ganhar a outro número 1 mundial – Roger Federer.

- Foi a primeira vez que o mesmo tenista conseguiu no mesmo torneio ganhar aos dois primeiros do ranking mundial (Wawrinka eliminara Novak Djokovic nas meias finais).

- Quem entregou os prémios deste memorável final foi também Pete Sampras no 20º aniversário da sua vitória neste torneio.

- Pela primeira vez, Roger Federer deixa de ser o número 1 suíço, já que, agora, Wrawinka passa a 3º do ranking mundial e Federer a 8º.

 

Dúvida que persistirá: Sem lesão, teria Nadal perdido?

Claro que os muitos fãs de “Rafa” dirão sempre que ele só perdeu esta final porque uma lesão nas costas que o afastou do court pelos regulamentares seis minutos para atendimento médico no final do 3º jogo do 2º set (2-1 para Wrawinka) e que lhe causou bastante sofrimento durante o resto do encontro. Bastou ver os lentos primeiros serviços do espanhol (jamais acima de 160km/h, enquanto Wrawrinka fez 19 azes contra apenas um de “Rafa”) depois da lesão e olhar para o seu rosto para ver que jogou em sofrimento e bastante diminuído. Mesmo assim ainda ganhou um set (o 3º) ao seu amigo com quem costuma treinar.

Entendo que Nadal perdeu esta final com os erros cometidos no 7º jogo do primeiro set quando – a perder por 4-2 – desperdiçou três “break points” com Wrawrinka a servir. Se tivesse ganho esse jogo iria servir com uma desvantagem de apenas 4-3 e toda a história do jogo poderia ter sido outra, lesão ou não lesão. Até porque o suíço cometeu a maior parte dos seus erros justamente quando Nadal estava inferiorizado, e, por isso, perdeu o 3º set.

No entanto, não pode haver dúvidas de que Wrawrinka não só “entrou a matar” nesta final usando bem a vantagem de começar o encontro a servir, como teve uma exibição sensacional, mostrando maior maturidade e um potencial enorme, mesmo muito grande, a ponto de eu – sem seguir de perto os meandros do ATP – atrever-me a prognosticar que este jovem de 28 anos com um corpo que ninguém poderá dizer ser de um atleta de alta competição, é um potencial número um mundial, caso Nadal e Djokovic, “se distraiam” ou tenham algum problema.

Como dizia – e muito bem – um dos competentes e conhecedores comentadores do Eurosport, a sua esquerda a uma mão não só é a melhor de todos os tempos, como, digo eu agora, pode por em causa o “back hand” a duas mãos, embora esta seja preferivelmente adotada atualmente para todos os jovens iniciantes. A certeza, a rapidez das suas esquerdas cruzadas são únicas no ténis mundial. Segundo o comentador Eurosport, isso também se deve à sua pega muito fechada.

Com desfecho inesperado (3-1) para Wrawrinka, esta foi uma final para não esquecer durante muito tempo. Um grande espetáculo graças à tenacidade, à garra de Nadal na sua decisão de não abandonar o encontro, ganhar o 3º set e manter-se até final com bastante sacrifício que se viu nas suas lágrimas.

Só lamentei que a organização de Melbourne não se tivesse lembrado de pedir ao grande, ao enorme, Rod Laver – de quem este court principal tomou o nome, Rod Laver Arena – de também estar junto aos que entregaram os troféus a estes dois novos gigantes do ténis mundial. Ainda me lembro bem das suas vitórias em Wimbledon que cobri, então como correspondente de “A Bola” em Londres, e me fascinaram a ponto de o considerar ainda o “Melhor Tenista de Todos os Tempos”, mesmo considerando o tão diferente ritmo e velocidade do ténis atual.

Este australiano de 75 anos é ainda o único a ganhar todos os torneiros do Grand Slam em dois anos consecutivos, e, caso, como aconteceu com Ken Rosewall, não tivesse sido impedido de jogar em Grand Slams de 1963 a 1967 por ser profissional (nessa época os grandes torneios eram reservados a amadores). Esta proibição foi retirada em 1969, quando se iniciou a “Era Open”.

Um realce final para o árbitro português desta final – Carlos Ramos, que soube “domar” com serenidade e tato o momento nervoso de Wawrinka quando Nadal saiu do court para tratamento médico. Depois de ter sido o “chair umpire” das finais dos Jogos Olímpicos e de Wimbledon este é mais um português de quem nos devemos orgulhar.

 

Próximas crónicas em continuação de temas suspensos

Sei que estou em falta para convosco em, pelo menos a continuação dos seguintes temas:

- 10 anos de Historic Festivals em Portugal (publicados apenas os dois primeiros “capítulos” dos prováveis cinco, ou mesmo seis).

- Os salários milionários dos desportistas, e, agora, os meus comentários sobre a excelente série de três reportagens – “Fora de Jogo” – e respetivos debates, a respeito das dificuldades económicas de muitos jogadores de futebol após o seu abandono dos relvados.

- Fotos inéditas de Eusébio (e Pelé) feitas por mim em Inglaterra nos anos sessenta.

domingo, 12 de janeiro de 2014


O ACIDENTE DE MICHAEL SCHUMACHER:

A DEPENDÊNCIA DOS ORGÃOS DE COMUNICAÇÃO.

Ao ler este post do meu amigo de longa data, o ex-piloto brasileiro, jornalista de rádio e já há alguns anos promotor de eventos de desportos motorizados, JAN BALDER, não posso deixar de o reproduzir, tal é a sensatez e propriedade com que ele escreve sobre este tema que é transversal a muitos momentos jornalísticos em todo o mundo.

Trata-se, no fundo, daquilo que eu escrevi há dias – a avidez, a pressa, de dar – a todo o custo, sobretudo, esquecendo a verdade e a pesquisa jornalística – qualquer notícia, algo primeiro que os outros. A confusão que muitos jornalistas e, sobretudo, muitos editores, fazem sobre o que é mais valioso – o “furo”, a “caxa”, ou a veracidade completa da notícia, do comentário.

Tudo isto se ensina no mais básico dos princípios do jornalismo. Tudo isto está no maravilhoso artigo de Francisco Pinto Balsemão – fundador do Expresso – na revista da semana passada e que é, penso eu, uma grande aula de jornalismo e de posicionamento do pepel dos Orgãos de Comunicação Social e dos seus profissionais tanto na sociedade quanto no relacionamento que os governos devem ter com eles.

Aqui fica, portanto, o texto de Jan Balder na íntegra:

 

A fragilidade da imprensa
O ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher não é o herói que a imprensa pintou na última semana. Ele se encontra hospitalizado em estado grave, após sofrer um acidente na estância de esqui de Méribel, nos Alpes Franceses, porque resolveu sair da pista regular e descer por uma área não delimitada, acabando por cair e bater a cabeça em uma pedra.
Nos últimos dias, os jornais e os noticiários do rádio e da televisão repetiram seguidamente que o ex-campeão de automobilismo se acidentou ao tentar socorrer a filha de um amigo, que teria sofrido uma queda. Na quinta-feira (9/1), os jornais brasileiros reproduzem informações de autoridades francesas que investigam o acidente e contam outra versão, com base nas imagens gravadas por uma câmera acoplada ao capacete de Schumaker: ele saiu da pista oficial porque quis, e não há registro de nenhuma outra pessoa na área onde se acidentou.
A história mentirosa foi passada aos jornalistas pela assessora de imprensa do ex-piloto, Sabine Kehm, e comprada pelo valor de face por agências internacionais de informações, emissoras de televisão, jornais e revistas de todo o mundo.
O episódio coloca duas questões interessantes para a análise da mídia. A primeira é a preocupante ascendência de assessores de comunicação sobre a imprensa. A segunda é ainda mais instigante e se refere ao processo avassalador de espetacularização das notícias: no universo hipermediado, a disputa por imagens e dados cada vez mais chocantes produz um contexto no qual a verdade perde espaço para as versões mais eletrizantes.
Nesse caso, qual seria o valor real da informação mediada pela imprensa?
Com a redução do tempo para processamento das informações, somada à necessidade de decidir rapidamente sobre o que é e o que não é notícia, a mídia se coloca num campo tão inseguro quanto o local escolhido por Schumacher para deslizar em cima de um par de pranchas.
Na disputa pela primazia de “furar” a concorrência, os editores optam por divulgar como verdadeiro tudo de interessante que lhes chega às mãos. No caso da história supostamente inventada pela assessoria do ex-piloto de corrida, não havia muito como checar a veracidade da informação, uma vez que Schumacher segue em estado de coma e os repórteres postados em frente ao hospital têm que ser criativos para cumprir suas cotas de relatos diariamente.
Imprensa manipulada
Segundo reportagem distribuída pela Associated Press (ver aqui, em inglês), especialistas afirmam que muitos atletas profissionais e amadores, com câmeras acopladas em seus equipamentos, tendem a priorizar as imagens de seu próprio desempenho, em detrimento da segurança.
Michael Schumacher não é um herói da compaixão e da solidariedade: é um esportista extremamente egoísta e competitivo, viciado em adrenalina, que depois de se aposentar no automobilismo seguiu arriscando a vida em esportes radicais. A câmera em seu capacete foi provavelmente uma das causas de seu acidente.
Não há como ignorar que o episódio revela mais uma vez a fragilidade do sistema da imprensa. Se é possível enganar praticamente toda a mídia do mundo com uma história que seria desmentida com a revelação das imagens gravadas pelo próprio Schumacher, o que não devem estar fazendo as poderosas agências de relações públicas, muitas das quais são associadas a grupos de publicidade, para moldar na opinião do público a reputação de empresas, celebridades, investidores, políticos e bancos?
Aqui no Brasil, onde as redações encolhem e diminui progressivamente a capacidade do sistema da mídia de captar e processar notícias, a maioria dos veículos depende cada vez mais das pautas criadas por assessores de comunicação. No caso do noticiário político, por exemplo, não há como acreditar em critérios objetivos da imprensa ao processar os produtos dos marqueteiros, uma vez que as disputas eleitorais invadiram o cotidiano do jornalismo e se transformaram em pauta permanente. A mesma coisa se pode afirmar do noticiário econômico, claramente atrelado aos interesses político-partidários e condicionado pelos dogmas do mercado.
A imprensa é refém de suas fontes, em parte porque não tem mais capacidade, com seu sistema vertical e linear de processamento, de captar e dar um significado à complexidade da vida contemporânea; em parte, porque também aderiu ao espetáculo mediático, no qual o jornalismo se mistura a todo tipo de interesse particular ou setorial.
O jornalismo tradicional está descendo a ladeira, com uma câmera no capacete.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


O ACIDENTE DE MICHAEL SCHUMACHER - UM DESASTRE DE COMUNICAÇÃO

Ainda ontem comentava a ansiedade natural, mas estúpida (por haver que esperar sempre pelo menos duas semanas em casos semelhantes para se saber algo de mais concreto) do público0 em geral e da imprensa. Mas muito pior que os meios de comunicação que, como é natural, mantêm um exército à porta do hospital de Grenoble, para não falharem qualquer notícia de última hora, muito o pior que tudo isso é o descalabro na comunicação da assessoria do piloto e do hospital.

É de “bradar aos céus” os erros que hoje em dia se cometem em termos de comunicação, seja institucional, seja governamental (o governo português tem sido exemplo disso demasiado frequentemente), quanto a nível comercial e publicitário.

Por isso tomo a liberdade de transcrever o que o meu amigo e colega jornalista brasileiro Américo Teixeira Jr escreve no seu site, com toda a razão e propriedade:

 

Enquanto é um desastre a comunicação oficial em torno do acidente de Schumacher, seu staff reclama de apurações independentes

Por Americo Teixeira Jr. – O cara tem fama mundial, sofreu um grave acidente e existe uma expectativa enorme por informações sobre o seu estado de saúde. Junta-se a isso um hospital que não emite boletins e uma assessoria de imprensa que não consegue dizer nem quando será o próximo informe. Esses são os ingredientes para o desastre em que se transformou a comunicação sobre o acidente de Michael Schumacher.

É muito fácil dizer para os jornalistas, defronte ao hospital em Genoble, que só haverá novos comunicados se houver alteração no caso clínico do ídolo mundial. É óbvio que essa é a senha para que cada um apure por seus próprios meios, afinal, jornalismo significa correr atrás da informação.

Quanto maior a omissão de informação, maior a chance de boatos se espalharem. Bastaria um encontro oficial diário, bastaria administrar a crise com transparência. Não, criaram um bloco de concreto diante do caso e condenam tudo o que não é via oficial.

Jornalismo se faz com apuração, pesquisa, responsabilidade e inteligência. O fato de um desequilibrado resolver se vestir de padre não é motivo para o staff de Schumacher considerar que toda aquela gente de imprensa na porta do hospital está ali para aprontar alguma coisa.

Idiota tem em qualquer lugar, inclusive na imprensa. Mas é só separar os responsáveis dos irresponsáveis que a coisa segue seu curso com a melhor qualidade e maior tranquilidade. Respeitar o momento delicado, sim; condenar os irresponsáveis, sim; afastar a imprensa da notícia, não, nunca, jamais.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

EUSÉBIO – HOMENAGEM INOLVIDÁVEL NA LUZ E POR TODA LISBOA (e MUNDO)
Foi emocionante ver o sentimento de tantos portugueses, independentemente da cor clubística, prestarem a sua última homenagem à "Pérola Negra" como um dia do outono de 1960 um amigo brasileiro de Bela Guttmann lhe contou existir em Lourenço Marques. A ida do carro com o corpo de Eusébio ao edifício da Câmara de Lisboa para uma cerimónia que não teve nada de ... nada, nem mesmo a bandeira de Portugal "porque o mastro se partiu". Terá sido apenas para Luis Felipe Vieira ser fotografado a abraçar António Costa?... 

Só valeu - ksso sim - pelo percurso ao longo do qual os lisboetas puderam aplaudir o seu ídolo num espetáculo comovente e que me encheu de lágrimas e de inveja de não estar ali. Mas, o cortejo fúnebre teria ficado mais solene e de acordo com o prestígio de Eusébio se tivesse sido escoltado, por exemplo, pela cavalaria da GNR que normalmente acompanha os eventos mais formais de figuras de Estado.

Eusébio para o panteão
E, convenhamos, hoje, Eusébio é a figura de Estado que o povo português mais chorou e venerou. A merecer um lugar ao lado de Amália Rodrigues no Panteão Nacional, mesmo que isso custe, como a Sra Presidente da Assembleia Nacional afirmou - com muito mau gosto - que irá custar demasiado...
Será que é muito caro dar a Eusébio o lugar que ele merece?
Se for preciso, estou certo que o povo pagará!!! Pelo menos estará a pagar por algo que sabe para que é e que é merecido...

A Guerra parava ...
Não se esqueçam que durante muitos anos - de 1961 a abril de 1974 - Portugal era conhecido no estrangeiro por pouco mais do que os aspetos negativos da ditadura e da guerra colonial e, pelo lado positivo, por Eusébio, mais até do que pelo Benfica. Isso merece um lugar no Panteão. Mesmo que custe "muito dinheiro". Haja bom senso e sentido de Estado, de retribuição para quem tanto representou e representa para o povo português e moçambicano ... e tantas alegrias lhes deu.

Ainda me lembro de, em 1966, estar no exército, em Moçambique, e - como membros de ambos os lados da guerra colonial ainda hoje recordam - a guerra parar, literalmente parar, bem à moda da "guerra"de Raul Solnado, para ouvir no rádio as transmissões dos jogos dos "Magriços" no Campeonato do Mundo de Futebol, em Inglaterra. Para ouvirem as jogadas e os golos de ... Eusébio.

EUSÉBIO – UM DIA PARA CHORAR E RECORDAR
Hoje é dia de adeus a Eusébio e, sobretudo, de recordações da grande “Pantera Negra” e de saudade por tudo o que ele fez pelo Benfica, futebol doe Portugal e por Portugal, pelo qual ele – é bom que se diga isto – se sacrificou profissionalmente ao ter a sua carreira “encarcerada” por Oliveira Salazar dentro das fronteiras nacionais.

Copa do Mundo de 1966: Portugal 3 - Hungria 1
Mas, Eusébio – e isso é o mais extraordinário na vida dele e na do SLB – teve reconhecimento internacional sem nunca ter jogado por qualquer clube europeu.
Por isso, a sua projeção internacional é tão maior do que a das estrelas internacionais atuais que se podem exibir mais frequentemente em mais jogos internacionais jogando por grandes clubes, equipas de maior competitividade que o Benfica, como todos os benfiquistas hão de certamente concordar.
Copa do Mundo 1966: Portugal 5 - Coreia do Norte 3 - uma das imagens mais famosas de autoria de Nuno Ferrari - depois do primeiro dos seus quatro golos, Eusébio vai buscar a bola dentro da baliza coreana como a afirmar "vamos a isto que, mesmo estando a perder por 1-3, ainda vamos ganhar".
Ele é o primeiro dos maiores. dos maiores jogadores europeus a partir.
Escrevo estas palavras no momento em que o seu corpo dá uma volta de honra no seu Estádio da Luz. Infelizmente, por enquanto, ainda não estou em condições físicas e emocionais para estar presente e juntar-me a todos que lhe prestam esta justa homenagem, uma homenagem que é extra-clubística, já que ele é uma figura mundial.
Eusébio, apoiado pelo selecionador Manuel da Luz Afonso, sai do relvado de Wembley, chorando pela derrota de Portugal na Meia Final da Copa de 1966, em que ele se lesionou. Copy Allsport.
A seleção portuguesa, em 1966: de pé - Alexandre Batista, Jaime Graça, Hilário, Vicente, Morais e José Pereira; ajoelhados - José Augusto, Torres. Eusébio, Coluna e Simões. Copy Nuno Ferrari.
A multidão que acorreu ao Aeroporto da Portela de Sacavém para receber os jogadores da seleção que foi 3ª no VIII Campeonato do Mundo de Futebol, em Inglaterra, 1966.

Aqui deixo algumas fotos publicadas no livro editado pela Talento sobre a História do Futebol e dos Campeonatos do Mundo, e de autoria do meu amigo e colega Nuno Ferrari e de outros grandes fotógrafos internacionais, cujos direitos são reservados..
Salazar condecora a seleção de 1966, tendo à frente Eusébio, que o estadista/ditador não deixou sair de Portugal pelo "significado que tinha a ligação de Portugal às suas "Províncias Ultramarinas".

Estas ainda não são as minhas fotos inéditas que vos prometi que estarão aqui dentro de umas cinco semanas.
Obrigado Eusébio. Até breve. Parte do historial da minha vida, das minhas alegrias, dos meus começos jornalísticos, acabou hoje, com a ida de um dos meus grandes ídolos.

domingo, 5 de janeiro de 2014

EUSÉBIO – MUNDO DO FUTEBOL DE LUTO, MAS RICO DE MEMÓRIAS.
O Benfica, a família benfiquista, o futebol nacional e internacional estão de luto, com a morte, esta madrugada de Eusébio da Silva Ferreira. E, Portugal também. Aliás, a República Portuguesa, por via do jugo de Salazar ficou a dever-lhe uma ainda maior projeção mundial quando em prol da política do futebol “ópio do povo”, lhe cerceou uma carreira internacional ainda muito maior do que ele teve com a camisola da águia.
Nunca fui da “família benfiquista”, como jamais fui de qualquer família clubística. O meu clube é o futebol bem jogado, e de forma limpa, honesta e desportiva. Como aprendi a gostar da modalidade nos meus anos de convivência íntima com o soccer britânico, em que me estreei em jornalismo, na época como correspondente de “A Bola”, em Londres, no início da década de sessenta.
No entanto, pela grande convivência e intimidade que tive com toda a gloriosa equipa do Benfica desses anos de 1961 a 1963, sempre me senti mais próximo dos pupilos de grande Bela Guttmann.  De Costa Pereira a António Simões eram todos especiais. Era um conjunto de jogadores e de homens que o treinador húngaro soube moldar numa equipa em que os “carregadores de piano” menos dotados tecnicamente estavam ao nível dos artistas porque o seu papel era igualmente importante para o conjunto.

O despontar de uma estrela internacional em 1961
Vivi o nascimento de Eusébio para o futebol internacional na temporada de 1961/62. Acompanhei de perto, em Inglaterra, o brotar da popularidade do jovem moçambicano desconhecido para o meio futebolístico britânico. Os meus amigos Brian Scovell e Clive Toye, nessa altura os jornalistas número um no Daily Sketch e no Daily Express, respetivamente, ajudaram muito a criar condições para que o nome de Eusébio fosse cada vez mais exposto nos jornais de Fleet Street.
Éramos – ele e eu – apenas uns miúdos, separados apenas por 10 meses de idade. Como me lembro das cenas que o Brian e eu inventámos para alimentar o tão peculiar estilo editorial de Fleet Street com material – inclusive fotos – que despertasse interesse dos adeptos futebolísticos britânicos nessa época muito mais virados para os seus astros. Estou a referir-me a uma época em que o futebol inglês não tinha jogadores e treinadores estrangeiros, em que a sua realidade não ia além do seu “umbigo” de criadores do jogo, em que era estranhíssimo alguma equipa “ousar” jogar fora do WM ou ver-se, por exemplo, um avançado passar a bola para as suas linhas mais recuadas para manter posse de bola. Eram outros tempos, que tanto se modificaram a partir da década seguinte.

A admiração de Matt Busby
E, foi nesse meio tão exclusivamente virado para as suas entranhas de fundadores em que Eusébio – mais do que em qualquer outro país do mundo – floresceu como uma estrela de brilho invulgar, sob ressaindo rapidamente entre os demais jogadores do Benfica.
Lembro-me – como se fosse hoje – de ouvir de Matt Busby, treinador do Manchester United, sentado ao meu lado no voo de BEA, de Amsterdão a Londres no dia seguinte à conquista do SLB da segunda Taça dos Campeões Europeus a falar-me de Eusébio com tal admiração que os seus olhos brilhavam. Isto, para um dos grandes mestres do futebol inglês e mundial, deixou-me tão orgulhoso quanto surpreso pois nesse dia, Eusébio tinha apenas 20 anos. Era um garoto que se dirigia com todo o respeito aos seus colegas mais velhos, como ao “Sr. Coluna”.
No ano seguinte, no Estádio da Luz vivenciei a admiração de Pélé pelo seu adversário do Benfica e a disponibilidade que mostrou quando lhe pedi para fazermos uma série de fotos para a imprensa inglesa para a qual tinha vindo cobrir o jogo para a Taça Intercontinental que o Santos ganhou por 5-3, se a memória não me falha.
Infelizmente só daqui a umas poucas semanas – quando finalmente puser ordem no meu arquivo fotográfico e o digitalizar todo – poderei partilhar convosco essas tantas fotos de Eusébio dessa época. Mas, aqui fica, desse já a promessa que o farei, sobretudo como homenagem minha a essa enorme figura de atleta que o Portugal salazarista não deixou brilhar ainda mais alto no estrangeiro e com, isso desfrutar mais do que o seu talento poderia render-lhe economicamente. Esperem por fotos minhas, do jovem Eusébio, inusitadas e inéditas, nas próximas semanas. Muitas delas publicadas na imprensa inglesa.
Com a minha ida para o Brasil em 1976, e o meu regresso apenas em 1988, pouco ou nada mais convivemos. A não ser uns breves encontros para discutir a possibilidade da minha editora de então publicar a sua biografia, o que não se efetivou por falte de vontade dele. O que lamento. Sobretudo pela oportunidade que teríamos tido – os dois – de reviver intensamente os momentos comuns do início dos anos sessenta.
Aqui fica a minha saudade e a minha profunda admiração por ele, e pelo seu estatuto que o S.L. e Benfica, em primeiro lugar, e a FPF, em segundo, souberam preservar e enaltecer.

sábado, 4 de janeiro de 2014

MICHAEL SHUMACHER - CASO NEUROLÓGICO - A EXPLICAÇÃO MÉDICA
Acabo de ler um post no Faceboook do experiente colega jornalista italiano Paolo Allievi, que penso valerá a pena todos lerem para se aperceberem da enorme gravidade da situação traumatológica por que passa o piloto alemão.
Trata.-se de uma entrevista feita com um médico da especialidade, e pela sua importância no esclarecimento do que se passa, tomo a liberdade de a copiar, primeiro em italiano, na integra, e, depois, em português com a ajuda do tradutor do Google:

Abbiamo intervistato il Dott. Stefano Signoretti Coordinatore sezione Neurotraumatologia Cranica per la Società Italiana di Neurochirurgia (S.Camillo Forlanini, Roma): “il rischio è anche uno stato vegetativo permanente”
Da un paio di giorni non vengono più diffusi bollettini medici sulle condizioni di Michael Schumacher, a seguito dell’incidente sugli sci che gli ha provocato un trauma cranico grave. Perciò abbiamo voluto indagare per capire meglio quali siano i rischi ed i tempi in cui si capirà il vero stato di salute del pilota. Ci ha aiutato Stefano Signoretti, esperto in neurotraumatologia.

 D.      Sabine Kehm, la portavoce storica di Schumacher ha confermato le condizioni stabili del campione tedesco. Questa stabilità come deve essere interpretata?
R.      Il concetto di stabilità del paziente dopo trauma cranico è legato alla costanza di alcuni parametri: condizioni neurologiche e pressione intracranica.  Il fatto che i parametri rimangano stabili è chiaramente una buona notizia, ma, di per sé, non indica assolutamente un quadro di miglioramento complessivo.
D.      Un altro specialista italiano di fama come il Dott. Acciarri ha ipotizzato due tipologie di lesioni: ematoma sottodurale acuto associato a lacerazioni celebrali.
R.      E' necessario essere molto chiari: il cervello è racchiuso in tre membrane concentriche che sono le meningi e ha delle vene che scaricano il sangue dentro la meninge. Queste vene si chiamano "a ponte" perché il cervello non occupa tutto il volume della scatola cranica ma è immerso in un liquido. Questo determina che i momenti inerziali della testa e del cervello siano diversi. Se la testa sbatte improvvisamente, questa si ferma, ma il cervello continua fino ad impattare contro il tavolato interno dell’osso. Ecco il meccanismo che determina le contusioni cerebrali (focolai lacero contusivi). L’altro problema è che queste vene a ponte si strappano, determinando il sanguinamento fuori dal cervello e comportando la formazione, appunto, dell’ematoma sottodurale acuto (sotto la “dura madre”, cioè sotto la prima meninge). Una lesione che ha una altissima mortalità, non tanto per l’ematoma, che può essere evacuato, ma perché il danno vero è interno. La forte accelerazione del cervello ha lacerato i neuroni. Al danno focale, l’ematoma, è associato un danno diffuso che noi non vediamo. Tutto questo si chiama “danno primario”. Attualmente la prognosi è legata a questo danno, cioè a quanti neuroni sono morti al momento dell’impatto. La sfida è quella di evitare il danno secondario, cioè le reazioni a catena provocate dal trauma. Ecco perché la prima cosa è stata la riduzione della ipertensione endocranica che ha permesso, alla pressione arteriosa, di irrorare correttamente il cervello, evitando così anche un danno ischemico. Ma quello che è successo è che questi sanguinamenti sembrano aver pervaso tutto il cervello, focolai contusivi multipli che fanno parte del danno cerebrale diffuso, di cui i colleghi hanno parlato, e che impediscono al chirurgo di intervenire in maniera definitiva.
D.    In queste ore sta girando sulla rete una grafica della France Presse dove vengono descritte le lesioni alla testa subite da Schumacher e il tipo di interventi.
R.      Si l’ho vista e si evince anche una craniectomia decompressiva. Mi spiego: se gli ematomi sono multipli in tutto l’encefalo, il chirurgo, per combattere efficacemente l’aumento di pressione, non può che togliere l’osso rendendo la testa una struttura non più inestensibile e permettendo al cervello di gonfiarsi, che è la sua prima reazione quando viene sottoposto ad una offesa. Ma anche in questo caso occorre essere chiari: se questo intervento è stato fatto è perché il paziente aveva una pressione intracranica talmente alta da non poterla gestire con i farmaci. Ma una craniectomia, per avere un vero effetto decompressivo, deve essere di almeno 100 centimetri quadrati, che vuol dire un lembo 10cm. x 10cm. In breve smontare la testa, levare un pezzo d’osso grosso come una mano, è chirurgia disperata, è sconfitta della terapia medica. Il rischio più grosso che si corre è che il paziente non muoia ma può rimanere in stato vegetativo persistente.
D.     Supponiamo che le condizioni di Michael si assestino a stabili nel medio periodo. Quanto tempo ci vuole per dichiararlo fuori pericolo? Questa incertezza è legata alla scelta di non fare più comunicazioni ufficiali?
R.      Certamente sì. I traumi cranici sono classificati in lievi, moderati e gravi. Quello di Schumacher è un trauma grave. Il 50% dei traumatizzati cranici gravi muore nelle prime 24 ore. All’inizio è battaglia incessante, poi, nel momento in cui riesci a prevenire la morte per edema celebrale maligno, entri in una fase di stabilità. Una fase in cui si monitorizzano tutti i parametri con il paziente mantenuto in coma farmacologico e che è impossibile prevedere quanto duri. I volumi intracranici si risistemano, i parametri vitali sono stabili e piano piano bisogna aspettare solo che si risvegli. Per cercare di ipotizzare una tempistica congrua, sempre sperando che non insorgano complicazioni, e possibile ipotizzare la conclusione della fase acuta tra due settimane, un progressivo distacco del monitoraggio multiparametrico e l’attesa del risveglio. In queste due settimane il paziente è ancora in serio pericolo di vita, per quanto riguarda il trauma stesso. Passato questo tempo il pericolo di vita rimane, ma per altri motivi. Tipo complicanze respiratorie, trombosi da allettamento, ecc. In quel caso conterà molto lo stato fisico generale e sappiamo che Schumacher è un atleta estremamente performante. Nel caso dovesse aver subito questa craniectomia decompressiva, l’osso dovrà riposizionarsi entro tre mesi e, comunque, nelle migliori condizioni sistemiche possibili. Quindi un paziente che, comunque, deve stare a letto.
D.     Andiamo avanti con le ipotesi che più ci piacciono.  Supponiamo che la situazione di stabilità continui ad evolversi al meglio, si tolgono i monitoraggi, eccetera. Dopo quanto tempo si possono quantificare i danni?
R.    Bella domanda. La quantificazione del danno è piuttosto difficile e in genere si fa con le risonanze magnetiche. La prima prognosi, cioè ipotizzare come andrà a finire, si farà a sei mesi per poi essere abbastanza vicini alla verità dopo un anno e poi nell’anno successivo. E’ chiaro che finita la tempesta, quando diventerà stabile, dovrà iniziare una riabilitazione passiva per non fargli perdere schemi motori e anchilosare le articolazioni. Ma per capire i danni permanenti bisognerà vedere le risonanze. Il problema grosso di Schumacher è che ha avuto, da quanto emerso, un danno diffuso e in questo caso viene danneggiato il network. Più che le singole aree, viene danneggiata l’intercomunicazione tra queste aree. Questo è il danno più temibile. C’è poco da essere ottimisti. Ecco perché la prognosi è riservatissima. Arrivo a dirti di più: Schumacher, dal punto di vista cerebrale/intellettivo, non è un uomo qualunque, ma è un super atleta. Una definizione prevista nella letteratura scientifica. Sono cervelli superiori soprattutto per quanto riguarda i processi cognitivi elaborati dalla cosiddetta: “working memory” localizzata nella corteccia frontale, sede frequente dei focolai lacero-contusivi. Queste persone hanno una capacità di prendere una informazione, elaborarla e dare una risposta che è dieci volte superiore rispetto alla norma, ma, di contro, sono cervelli estremamente più delicati. Più il sistema è complesso, più è delicato, perché si posiziona ad un livello di prestazioni più alto.
D.     Non avremo più il Michael di una volta?
R.     Io penso di no

Intervista di Marco Della Monica

Entrevistamos o Dr. Stephen Signoretti seção Coordenador Neurotraumatology craniana para a Sociedade Italiana de Neurocirurgia ( S. Camillo Forlanini , em Roma ) : "O risco é também um estado vegetativo permanente "Por um par de dias não são os relatórios médicos mais comuns sobre as condições de Michael Schumacher , na sequência do acidente nas encostas o que causou um ferimento grave na cabeça . Por isso, quis investigar para entender melhor quais são os riscos e os tempos em que você vai entender o verdadeiro estado de saúde do piloto. Stephen nos ajudou Signoretti , especialista em neurotrauma .
 
D. Sabine Kehm , porta-voz do histórico de Schumacher confirmou as condições de estabilidade do campeão alemão. Isto deve ser interpretado como a estabilidade ?R. O conceito de estabilidade do paciente após lesão na cabeça está relacionada com a constância de alguns parâmetros : condições neurológicas e da pressão intracraniana. O fato de que os parâmetros se mantêm estáveis ​​é claramente uma boa notícia , mas , por si só , não indica absolutamente uma parte da melhora geral .D. Outro famoso especialista italiano como Dr. Acciarri sugeriu dois tipos de lesões : hematoma subdural agudo associado com lacerações cerebrais.R. E ' preciso ser muito claro : o cérebro é fechado em três membranas concêntricas , que são os cérebros e as veias que drenam o sangue para as meninges. Estas veias são chamados de " ponte " porque o cérebro não ocupa todo o volume do crânio, mas é mergulhada em um líquido . Isso determina que os momentos de inércia da cabeça e do cérebro são diferentes. Se a cabeça de repente bate , este pára , mas o cérebro continua a ter impacto contra a superfície interna do osso . Este é o mecanismo que determina as contusões cerebrais ( surtos Ragged sem corte ) . O outro problema é que estas veias ponte estão rasgadas , conduzindo ao sangramento do cérebro e levando à formação , na verdade , hematoma subdural agudo ( no âmbito do " dura-máter " , ou seja, abaixo do primeiro mater ) . Uma lesão que tem uma alta taxa de mortalidade , não por causa do hematoma , que pode ser evacuada , mas porque o dano real é interno. A forte aceleração do cérebro rasgou neurônios. No dano focal, o hematoma é associado com danos generalizados que nós não vemos . Tudo isso é chamado de " dano primário " . Actualmente , o prognóstico é relativa a este dano , ou seja , o número de neurónios que morreram no momento do impacto . O desafio é , para evitar danos secundários , por exemplo , as reacções em cadeia causadas por trauma . É por isso que a primeira coisa foi a redução da hipertensão intracraniana , que permitiu , pressão arterial, para pulverizar adequadamente o cérebro , evitando assim a lesão isquêmica . Mas o que aconteceu é que esses sangramentos parece ter permeado todo o cérebro , múltiplos focos contundente que fazem parte do dano cerebral generalizada, cujos colegas falaram, e que impedem o cirurgião para operar de forma permanente.D. Nessas horas é executado em uma rede de gráficos onde France Presse descreve as lesões na cabeça sofridas por Schumacher eo tipo de intervenção.R. Você já viu e também pode ser visto uma craniotomia descompressiva . Deixe-me explicar : Se você tiver vários hematomas por todo o cérebro , o cirurgião , para combater eficazmente o aumento da pressão , o que não é possível remover o osso fazendo a cabeça mais do que um não- extensível e permitindo que o cérebro inchar, o que é sua primeira reação quando submetido a uma ofensa. Mas, mesmo neste caso é preciso ser claro: se esta intervenção foi feito é porque o paciente tinha uma pressão intracraniana tão alto que não pode controlar com medicação. Mas uma craniotomia , para ter um efeito real de descompressão deve ser de pelo menos 100 centímetros quadrados , o que significa uma tira 10 centímetros . x 10cm . Em suma, remover a cabeça , retirar um pedaço de osso do tamanho de uma mão , é a cirurgia desesperado, a terapia médica é derrotado . O maior risco que corremos é que o paciente não morre , mas pode permanecer em um estado vegetativo persistente .D. Suponha-se que as condições para um lugar estável para Michael no médio prazo. Quanto tempo leva para declará-la fora de perigo ? Esta incerteza está relacionada com a escolha de não mais fazer anúncios oficiais?R. Certamente que sim . Lesões na cabeça são classificadas como leve, moderada e grave. Isso Schumacher é um trauma grave. 50 % de lesões graves na cabeça morre nas primeiras 24 horas. Top é a batalha incessante , então, quando você pode evitar a morte por edema cerebral maligno , entra em uma fase de estabilidade. A fase em que você controlar todos os parâmetros com o paciente permaneceu em coma induzido e que é impossível prever o quão duro . O volume intracraniano é reorganizado , os sinais vitais são estáveis ​​e, lentamente, você tem que esperar apenas que você acorda. Para tentar sugerir um prazo razoável , sempre esperando que não surjam complicações , e pode assumir a conclusão da fase aguda em duas semanas , um destacamento progressivo do monitoramento multiparamétrico e expectativa de despertar. Nessas duas semanas, o paciente ainda está em grave perigo para a vida , com relação ao mesmo trauma. Após este tempo, o perigo de vida permanece , mas por outros motivos . Digite complicações respiratórias , roupas de cama trombose , etc . Nesse caso, contarão estado físico muito geral , e sabemos que Schumacher é um atleta de alto desempenho. Se isso fosse ter sofrido a craniotomia descompressiva , o osso vai ter que se reposicionar dentro de três meses e , em qualquer caso, nas melhores condições possíveis sistêmicas. Assim, um paciente que , no entanto, deve ficar na cama.D. Sigamos em frente, com a suposição de que nós gostamos . Suponha-se que a situação estável continua a evoluir no seu melhor, tirar os monitores , e assim por diante . Quanto tempo você pode quantificar o dano ?
 
R. Boa pergunta . A quantificação do dano é bastante difícil e, geralmente, é feito com imagens de ressonância magnética . O primeiro prognóstico , ou seja, especular como isso vai acabar , você vai fazer seis meses e, em seguida, estar perto o suficiente para a verdade depois de um ano e , em seguida, no ano seguinte . É claro que a tempestade acabou, quando se torna estável, deve começar uma terapia passiva para ele não perder padrões motores e articulações anchilosare . Mas para entender a necessidade de ver ressonâncias danos permanentes. O grande problema é que tinha Schumacher , que emergiu , danos generalizados e , neste caso, a rede estiver danificado . Mais do que as áreas individuais serão danificados intercomunicação entre essas áreas. Este é o mais terrível dano . Há pouco a ser otimista. É por isso que o prognóstico é altamente confidencial. Chegada de lhe dizer mais : Schumacher , do ponto de vista do cérebro / intelectual , não é um homem comum, mas é um super atleta . Uma definição proporcionada na literatura científica . Eles são superiores cérebros especialmente no que diz respeito aos processos cognitivos desenvolvidos pela chamada " memória de trabalho " localizado no córtex frontal , o assento de surtos frequentes romba lacerado . Estas pessoas têm a capacidade de fazer uma informação , processá-lo e dá uma resposta que é dez vezes maior do que o normal , mas , em contraste , são cérebro extremamente delicada . Quanto mais o sistema é complexo , é mais delicada , porque ele está posicionado a um nível de desempenho superior.D. Nós não voltaremos a ter de novo o Michael que conhecíamos?R. Acho que nãoEntrevista de Marco Della Monica



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

MICHAEL SHUMACHER – ESPERANÇA NO ANIVERSÁRIO.
A GRAVIDADE DO ACIDENTE NEUROLÓGICO REQUER PACIÊNCIA.
O mundo automóvel está hoje – mais do que nunca – focado a concentrar as melhores energias possíveis ou orações para que o aniversariante de hoje – Michael Schumacher – se recupere bem. Vejam que eu não escrevi rápido pois sei, de experiência própria, com o meu grave acidente a 13 de maior de 1973, no Estádio das Antas, que um traumatismo craniano necessita de tempo, de muito tempo, para estabilizar e para permitir aos médicos descobrirem quais as sequelas que terá havido.
Claro que os dois acidentes foram de gravidade muito diferente. Enquanto eu fiquei politraumatizado (parti tudo o que havia a partir exceto o braço esquerdo), além de ter sofrido um inchaço da massa cerebral devido ao choque com o crânio no fortíssimo embate que envolveu forças G que nem quero pensar, não tive, ao contrário de Schumacher, lesões graves cranianas. Tanto que o meu capacete apenas teve uns arranhões, e era um capacete de há 41 anos…
Mesmo assim – e isto para acalmar as hostes de milhões de fãs do alemão – fiquei em coma mais de duas semanas. Por isso, embora o caso do piloto alemão seja muito mais grave, inclusive provocando sequelas neurológicas – como também se chegou a pensar no meu caso – há que ter esperança e calma, se é que é possível ter para os mais chegados ao hepta-campeão.
Eu, no Hospital São João, no Porto, pelo jovem e muito competente, mas já falecido, neurocirurgião José Manuel Sousa Pereira, que me trepanou (abriu três furos no crânio para aliviar a pressão cerebral que causou o coma), e Schumi, depois de ter tido duas operações semelhantes, a segunda, inclusive, para aliviar um hematoma, está em exequentes mãos, supervisionadas pelo muito experiente Professor Gerald Saillant, o mesmo cirurgião que tratou Shekhar Mehta, como viúva deste, Yvonne, recorda no Facebook.
Portanto, caros amigos, usando apenas a minha (má, péssima) experiência de há mais de 40 anos, teremos de esperar mais uma ou duas semanas para que os neurocirurgiões saibam, em Grenoble, como o ex-campeão do mundo vai ficar.  
Juntemos toda a nossa energia mental e a nossa fé para dar força a Schumacher para, primeiro, sair do coma, e, depois, para conseguir superar qualquer sequela mais grave que possa vir a ter.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

1º SALÃO DOS CAMPEÕES – DIFÍCIL PRIMEIRO PASSO
Neste fim-de-semana, Manuel Mello Breyner cumpriu, com a realização do 1º Salão dos Campeões, uma das suas promessas eleitorais a caminho da Presidência da FPAK.
Com a presença de uns 40 carros de competição – a maioria bastante interessante –, umas10 motos, todas interessantes, e uns 10 karts, este primeiro certame da era Breyner merecia mais, sobretudo por parte do público, cuja afluência ficou bem abaixo do esperado.
Quando pelas 15h de sábado cheguei ao estacionamento da Expo Salão da Batalha – realmente uma infraestrutura de grande valor para a região, e que simultaneamente albergava uma exposição de veículos usados – fiquei muito surpreso por ver tantas vagas, sobretudo porque já estava perto da hora dos maiores nomes do nosso desporto motorizado, os campeões, darem a sua sessão de autógrafos – António Félix da Costa, Felipe Albuquerque, Miguel Barbosa, José Pedro Fontes, e outros.
Depois entrei, e o recinto impressionou-me, mas tive uma sensação de “saber a pouco”. Claro que estamos em crise, para todos, e embora o local tenha sido muito bem escolhido pela nova equipa da FPAK – a meio do país – foi nítido que faltaram alguns carros que eram esperados. No entanto, transporte e estadia para “apenas expor” os seus carros, não esteve ao alcance – pelo menos mental – de alguns, que não terão pensado mais para a frente, no sentido de lançar esta semente (ou não terão tido essa possibilidade económica).
Esta foi uma importante primeira pedra lançada por Mello Breyner, mesmo que não tivesse tido o sucesso com a esperada adesão do público. Foi uma iniciativa no bom sentido de levar os automóveis para junto de um público que ou não entendeu ou não foi informado ou muito simplesmente não compreendeu o que lhe estava a ser oferecido por apenas €3 – a oportunidade de ver de perto, de tocar em carros emblemáticos do nosso automobilismo e de ter um contato direto com os ídolos nacionais do nosso desporto. Talvez por não estarem habituados a isso. Mas, valeu Foi uma primeira semente que trará frutos no futuro, estou certo, até porque não estou nada de acordo com um amigo que me disse logo que cheguei “coitado do “Formiga” ter de aturar, estar sempre a tirar fotos com este e com aquele, e ter de dar autógrafos”.
Justamente foi contra esta errada linha de pensamento que se terá realizado este I Salão dos Campeões. Campeões que sabem ser essa a sua obrigação – alimentar o sonho dos seus adeptos, semear o sonho, as sensações que o automobilismo e seus principais atores – os pilotos – têm de fomentar.
O caminho é duro, mas é preciso dar os primeiros passos por caminhos diferentes dos errados que estavam a ser tomados, em vários campos, de iniciativas ou de posturas. Este foi um deles. Que deixará frutos.
No entanto, o público precisa de aderir mais pois, se não o fizer, não pode, depois, reclamar que nada se faz. E, deixar a sua passividade, a sua timidez, e participar mais destas sessões de autógrafos que são feitas para proporcionar maior intimidade com os protagonistas do desporto. O português parece que tem vergonha, que tem medo de interagir, de fazer aquilo que, no fundo, quer.
Por último, uma outra realidade: ao norte de Leiria (e a Batalha fica mesmo ali juntinho, uns poucos kms a sul) é que há paixão pelos automóveis. A prová-lo muitos dos que vi na Batalha eram do Norte…

MUSEU CR7 – UMA REALIDADE POR INICIATIVA PRÓPRIA
Também este fim-de-semana, Cristiano Ronaldo inaugurou o seu museu, na sua terra, Melhor, a Madeira teve a honra de ver inaugurado um museu que homenageia o seu maior desportista português do momento – e um dos maiores de sempre.
Não conheço ainda este museu. Espero que quando o for visitar … a segunda Bola de Ouro já lá esteja, embora duvide muito que a vontade do tal de Blatter, eleito Presidente da FIFA, como a grande maioria dos presidentes dos seus antecessores e dos presidentes das Federações a Internacionais são, de forma muito pouco transparente. Aliás, até bem transparente pois sabemos bem os métodos utilizados de aliciamento dos seus eleitores – os presidentes das Autoridades Desportivas Nacionais.

MUSEU SENNA – UM SONHO POR CONCRETIZAR.
Bem, não é disso, dessa enorme e fedorenta sujeira que vos escrevo hoje. É de outra, sobre a qual já escrevi, e que escandaliza muitos milhares, milhões de fãs de Ayrton Senna – depois de quase 20 anos do tanta, tanta gente que tinha no Ayrton uma luz de esperança, de orgulho, uma alegria nas suas vidas muitas vezes desgraçadas, que via nele um símbolo, um herói; depois de tanto tempo de orfandade de Ayrton, continuam sem saber por que motivo ainda não têm um museu do símbolo da sua esperança e de motivo de alegria?
Por que motivo a TAS-Torcida Ayrton Senna, que continua a ser levada a custas penas pelo meu amigo Adilson Carvalho de Almeida, merece, como sempre, a indiferença da Fundação Ayrton Senna, e tem como amparo apenas o Patriarca de família, o Sr Milton, pai de Ayrton, e o desdém da “todo poderosa” Viviane Senna da Silva Lalli, irmã de Ayrton, que só no ano passado confessou publicamente numa entrevista à TV Record que a ideia do seu irmão não era exatamente fazer uma fundação com o seu nome, mas fazer uma série de ações beneficentes, como ele sempre fez de modo sigiloso. Aliás não seria pensável que fosse de outra forma, já que Ayrton sempre se opôs a qualquer divulgação ou publicidade aos seus atos beneméritos nos últimos anos da sua vida. Ele sempre quis manter o anonimato das suas doações. Algo muito diferente do que a psicóloga, Dra. Viviane tem vindo a fazer nos últimos 18 anos.
Mais uma vez me questiono: já que Viviane – que, sem dúvida, tem o grande mérito de ter fundado e mantido florescente o Instituto Ayrton Senna, com obras de grande valor social – sobretudo para crianças – a que sempre faz questão de associar o nome de Ayrton e o seu – por que motivo até agora não proporcionou ao povo brasileiro – e não só – o Museu Ayrton Senna, para o qual o Município de São Paulo já teria doado um terreno?
Não foi certamente a pífia exposição (embora tecnologicamente muito moderna e interessante) que organizou há dois anos num canto da Estação de Metro da Sé, em São Paulo, que pode satisfazer o povo, e muito menos esteve à altura de Ayrton, seja em dimensão seja em forma seja ainda pela falta de perenidade que ele merece.
Não será certamente por falta de fundos que esse museu ainda não foi erguido pois não faltarão apoios pera o erguer e manter. Está Viviane à espera do quê?
Lamentável. Como seria uma justa homenagem a Ayrton que no próximo dia 1 de maio, o povo, sobretudo o brasileiro, pudesse ter o seu museu, como tem no edifício do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, um excelente Museu do Futebol, onde pode recordar os seus ídolos, como Domingos da Guia, Bellini, Nilton e Djalma Santos, Pelé, Garrincha, Vává, Zico, Ronaldo e tantos outros.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

HÁ LIMITES PARA A FIFA e o sr BLATTER?
Até na cerimónia do sorteio do Campeonato do Mundo FIFA Brasil 2014 Joseph Blatter, Presidente da FIFA, comportou-se mal, de novo. Primeiro a farsa do favor à França num sorteio paralelo ao sorteio principal para favorecer os franceses de forma vergonhosa e, depois, já no palco não estando à altura quando foi feita homenagem a Nelson Mandela, uma das maiores figuras do planeta, Prémio Nobel, cuja morte, ontem, deixou toda a população mundial vazia da sua humanidade, do seu poder de conciliação, de apaziguamento. O mundo estava de luto, mas Blatter preferiu seguir em frente com o espetáculo, não respeitando suficientemente o espírito de Mandela, que deve ser o mesmo do futebol. Lamentável, mesmo para um “Badfella”.O sorteio ficou assim:

Grupo A                     Grupo B
Brasil                          Espanha
Croácia                       Holanda
Camarões                  Chile
México                       Austrália

Grupo C                    Grupo D
Colômbia                    Uruguai
Grécia                        Costa Rica
Costa do Marfim        Itália
Japão                         Inglaterra

Grupo E                     Grupo F
Suíça                          Argentina
Equador                      Bósnia Herzegovina
França                        Nigéria
Honduras                    Irão

Grupo G                    Grupo H
Alemanha                   Bélgica
Portugal                      Argélia
Gana                          Rússia
 EUA                           Coreia do Sul