SINTRA – RECORDAÇÕES MIL
Quando ontem
à tarde o amigo Gonçalo Cornélio da Silva me incitou a ir com ele juntar-me, em
Sintra, ao grupo formado, creio, pelo Artur Lemos para reviver as grandes
noites do Rallye TAP - e do Rallye das Camélias, claro – na Peninha, Lagoa
Azul, Pena e todos esses míticos lugares dos ralis portugueses foi por pouco
que não aderi. Felizmente (para a minha saúde) – não seria nada sensato apenas uma
semana depois de uma pneumonia ir testar a humidade da Serra de Sintra, mas
infelizmente pois perdi certamente um bom convívio e a recordação de tantos bons
momentos da minha carreira de piloto por ali passados.
Ao lado de Néné – experiência inolvidável
Nos 10 anos
de piloto recordo com muito especial emoção dois momentos. De forma tão nítida
como se fosse hoje. A ponto de de continuarem a dar as mesmas sensações de
quase êxtase. Uma, é, claro, o que acontecia sempre que em Vila Real, nos primeiros
treinos fazia a descida de Mateus, com a perna direita a crescer a cada volta
para, a partir da terceira ou quarta conseguir chegar lá baixo mesmo, coma a “para
no fundo” na segunda curva da descida. Era engraçado como, ano após ano, a
perna sempre encolhia nas duas ou três primeiras voltas. Mas, felizmente,
sempre conseguiu encostar o acelerador no fundo…
A outra
experiência inolvidável foi em Sintra. Não sei por que motivo ou motivação, uma
noite, quando o Ernesto Neves e eu estávamos pela Pena a treinar – eu com o meu
Escort TC e ele, nem sei com que carro do Team Palma – decidi convidar o Néné
para descermos juntos a rampa, no meu carro. Com ele a guiar. Desculpem, a
pilotar.
Claro que
para um piloto, sentar-se no banco do “pendura” é difícil, a velocidade parece
diferente. Em tudo. Mas, eu já fizera algumas provas como pseudo-navegador. E, eu
estava ali para aprender pois já tinha visto, como espetador, o Néné fazer a
rampa. Queria saber como ele pilotava e fazia aquelas maravilhas de tempos. A
descer, notem bem, que é bem mais difícil do que a subir – é preciso muito
maior rapidez de movimentos e, principalmente, maior precisão nas travagens e
delicadeza nas trajetórias.
Indescritível.
Ainda hoje não sei como é possível pilotar com aquela rapidez, sensibilidade,
precisão. Lembro-me de me sentir atordoado, tal a diferença para a minha
pilotagem. Não percebia como alguém podia ser tão rápido de mãos e pés. E estávamos
apenas a treinar, de estrada aberta…
No fundo, mesmo,
pouco aprendi do muito que tinha para aprender pois fiquei, repito atordoado,
surpreso, estupefacto. Já me tinha sentado ao lado de muitos bons pilotos ali
pelos lados de Sintra, desde Markku Alén, Jean-Pierre Nicolas, Walter Rohrl e
outros. Mas, nessa noite era diferente. Estava no meu carro, conhecia bem os
seus limites, a sua maneabilidade. Mas, como o Néné ao volante as minhas referências
foram para o espaço. Era outra realidade. Quase inacreditável. Nunca o meu
Escort TC andou tão depressa!
Comportamento de pilotos históricos – algo a
rever, urgente
O editorial
da última revista “Historic Motor Racing News” assinado pela sua editora Carol
Spaag merece ter alguns importantes trechos transcritos pela sua importância e por
serem exemplarmente aplicados também no nosso panorama de provas de pista para
clássicos e históricos. Aqui os reproduzo com a devida vénia:
Na última
prova da U2TC, em Silverstone, Sir John Whitmore – famoso campeão britânico dos
anos 1960 e 70 –, fez alguns ao comportamento em pista de alguns pilotos. Segundo
ele, nos anos em que disputava vitórias com Jim Clark e outros nos campeonatos
de turismos altamente competitivos, o comportamento era “bem mais de gentlemen…”.
E que a atitude atual dos pilotos era …”bem mais moderna” …
Como a Carol
muito bem aponta: “O meu tempo, corríamos com carros clássicos porque nos davam
prazer e gostávamos de competir e participar; no entanto, hoje, como na maioria
das modalidades há uma postura de ganhar a todo o custo”. E, ela aponta – e muito
bem – que essa errada atitude leva a comportamentos em pista por vezes muito
pouco corretos como temos visto em algumas ocasiões, em muitas pistas,
incluindo portuguesas.
A FIA
prometeu, há uns dois anos, olhar com mais atenção para este problema – sim, é
um problema desses pilotos e do automobilismo histórico – mas até agora pouco
ou nada tem feito. Como de costume…
Será altura
para a “nova FPAK” olhar para este tema com mais atenção para resguardar o
verdadeiro espirito das competições clássicas ou históricas.